Pular para o conteúdo principal

Dra Elaine Miwa Watanabe

Dra Elaine Miwa Watanabe
Otorrinolaringologista
Zumbido tem tratamento
Doutorado dra Elaine Miwa Watanabe

Doutorado em Otorrinolaringologia pela USP: pesquisa sobre zumbido crônico

A Dra. Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista e atua no diagnóstico e tratamento do zumbido no ouvido. Em 2026, concluiu o Doutorado em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Durante o doutorado, desenvolveu uma pesquisa clínica sobre uma possível abordagem farmacológica para o zumbido crônico.

A tese recebeu o título “Eficácia da donepezila em pacientes com zumbido crônico”. O estudo investigou se a donepezila poderia reduzir os sintomas em pessoas com zumbido crônico.

Embora os médicos utilizem a donepezila principalmente no tratamento de alguns tipos de demência, o estudo não teve como objetivo tratar demência. Além disso, a pesquisa não avaliou pacientes com demência e não estabeleceu relação entre zumbido e demência.

A equipe estudou a donepezila por causa de uma hipótese relacionada aos mecanismos neuroquímicos do sistema nervoso. Mais especificamente, a pesquisa avaliou a possível participação da neurotransmissão colinérgica nos mecanismos do zumbido.

O que foi estudado no doutorado?

O doutorado da Dra. Elaine Miwa Watanabe investigou a eficácia da donepezila em pacientes com zumbido crônico.

O zumbido corresponde à percepção de um som sem uma fonte sonora externa equivalente. Muitas pessoas sentem o zumbido no ouvido; no entanto, sua percepção envolve mecanismos complexos do sistema auditivo e do sistema nervoso central.

Por isso, diferentes fatores podem contribuir para o início e a manutenção do zumbido.

Nesse contexto, a pesquisa avaliou uma hipótese farmacológica específica: a possibilidade de a donepezila beneficiar pacientes com zumbido crônico subjetivo e não somatossensorial.

Portanto, o objetivo não envolveu o estudo da demência. A equipe utilizou a donepezila como uma ferramenta farmacológica para investigar uma hipótese relacionada à neurotransmissão e aos mecanismos do zumbido.

Por que estudar um medicamento utilizado para demência?

Essa dúvida surge com frequência quando as pessoas conhecem o tema da pesquisa.

A donepezila é um inibidor da acetilcolinesterase. Os médicos utilizam esse medicamento principalmente no tratamento sintomático de alguns quadros de demência, especialmente da doença de Alzheimer.

Entretanto, seu mecanismo de ação também interessa a pesquisas sobre outras condições neurológicas.

A donepezila bloqueia a enzima acetilcolinesterase. Como resultado, aumenta a disponibilidade de acetilcolina, um neurotransmissor presente em várias regiões do sistema nervoso central.

Assim, pesquisadores podem estudar medicamentos conhecidos em outras doenças quando encontram uma hipótese científica plausível para uma nova aplicação.

Essa foi a lógica do estudo.

O uso da donepezila no tratamento de demências não significa que os participantes da pesquisa tivessem demência.

Da mesma forma, o zumbido não representou um sinal de demência neste estudo.

A pesquisa avaliou exclusivamente uma possível ação da donepezila sobre os sintomas e os mecanismos relacionados ao zumbido crônico.

Qual é a relação entre acetilcolina e zumbido?

A acetilcolina participa de diversas funções do sistema nervoso.

Além disso, a neurotransmissão colinérgica pode influenciar processos de funcionamento e modulação da atividade neural.

A pesquisa partiu de uma hipótese neurobiológica: ao aumentar a disponibilidade de acetilcolina no sistema nervoso central, a donepezila poderia influenciar mecanismos relacionados à percepção do zumbido.

A hipótese também considera a complexidade da atividade neural e a possível participação de processos relacionados à excitotoxicidade.

No entanto, uma hipótese científica precisa passar por testes clínicos.

Por isso, a equipe realizou um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Esse modelo permitiu comparar os resultados dos pacientes que receberam donepezila com os resultados daqueles que receberam placebo.

Como a pesquisa foi realizada?

O estudo seguiu um modelo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

A pesquisa avaliou 70 participantes com zumbido crônico. A equipe distribuiu os participantes entre os grupos de tratamento e placebo.

Além disso, os pesquisadores aplicaram critérios específicos de seleção. Entre eles, incluíram zumbido crônico subjetivo e não somatossensorial.

Os participantes receberam donepezila ou placebo durante três meses.

No grupo que recebeu donepezila, o protocolo começou com 5 mg por dia. Depois, aumentou a dose para 10 mg por dia, conforme o planejamento da pesquisa.

Durante o acompanhamento, a equipe aplicou escalas e questionários. Esses instrumentos avaliaram possíveis mudanças no zumbido e em outros parâmetros clínicos e cognitivos.

Entre os instrumentos utilizados, estavam:

  • Tinnitus Handicap Inventory (THI);
  • Escala Visual Analógica (VAS);
  • Clinical Dementia Rating (CDR);
  • Mini-Mental State Examination (MMSE);
  • avaliações psicoacústicas do zumbido.

A presença de instrumentos como CDR e MMSE no protocolo não significa que os participantes tivessem demência.

Esses instrumentos ajudam a avaliar aspectos clínicos e cognitivos. Portanto, sua utilização não transformou o estudo em uma pesquisa sobre demência.

O que o estudo encontrou?

O resultado principal não mostrou diferença estatisticamente significativa entre o grupo que recebeu donepezila e o grupo placebo. A análise considerou a melhora dos sintomas nos principais instrumentos utilizados.

Portanto, os resultados não permitem afirmar que a donepezila ofereça um tratamento comprovadamente eficaz para o zumbido crônico.

Entretanto, alguns resultados secundários chamaram a atenção.

A análise dos participantes que apresentaram melhora de pelo menos 7 pontos no Tinnitus Handicap Inventory (THI) indicou uma possível tendência favorável ao grupo que recebeu donepezila.

Além disso, a equipe analisou o número de participantes que alcançaram melhora de pelo menos 11 pontos no THI.

Esses resultados sugeriram possível relevância clínica para parte dos pacientes. Entretanto, precisamos diferenciar tendência de benefício de eficácia comprovada.

Em outras palavras, os resultados justificam novas pesquisas, mas não permitem estabelecer a donepezila como tratamento do zumbido.

A equipe também registrou remissão completa do zumbido em um paciente do grupo que recebeu donepezila. Entretanto, um resultado isolado não comprova uma relação de causa e efeito.

Então, a donepezila funciona para zumbido?

O estudo não demonstrou eficácia estatisticamente significativa da donepezila no tratamento do zumbido crônico.

Essa representa a principal conclusão da pesquisa.

Por outro lado, alguns resultados indicaram uma possível tendência de benefício clínico. Portanto, a pesquisa levantou uma hipótese que outros estudos poderão investigar.

Assim, não devemos afirmar que “a donepezila cura o zumbido” ou que “a donepezila representa um tratamento comprovado para zumbido”.

Da mesma forma, os resultados não justificam o uso da medicação por conta própria.

Antes de utilizar qualquer medicamento, o paciente precisa conversar com um médico. A decisão deve considerar suas características individuais, doenças associadas, outros medicamentos e possíveis riscos e benefícios.

Donepezila e demência: uma explicação importante

Como os médicos utilizam a donepezila principalmente em pacientes com demência, vale reforçar uma informação importante.

Participar de uma pesquisa com donepezila não significa ter demência.

No estudo desenvolvido durante o doutorado da Dra. Elaine Miwa Watanabe, a equipe investigou a donepezila por causa de sua ação sobre a neurotransmissão colinérgica. Os pesquisadores não selecionaram os participantes porque eles apresentavam demência.

Além disso, o zumbido não significa que uma pessoa tenha demência.

O zumbido apresenta múltiplas causas e diferentes mecanismos. Ele pode se relacionar a alterações auditivas, exposição a ruído, alterações do sistema auditivo, fatores somatossensoriais, condições metabólicas, medicamentos e alterações musculares ou articulares, entre outros fatores.

Portanto, não devemos interpretar o uso experimental da donepezila como uma ligação entre zumbido e demência.

Por que estudar um medicamento já utilizado em outra doença?

Na pesquisa médica, os cientistas podem investigar medicamentos conhecidos em outras condições quando encontram uma hipótese científica plausível.

Esse processo recebe o nome de reposicionamento de medicamentos.

Nesse caso, os pesquisadores já conheciam a ação da donepezila sobre a acetilcolinesterase. A pesquisa buscou verificar se esse mecanismo poderia influenciar o zumbido.

Além disso, o estudo de medicamentos conhecidos pode ajudar os cientistas a compreender melhor os mecanismos biológicos de uma doença.

No entanto, uma hipótese promissora não basta para recomendar um tratamento.

Os pesquisadores precisam realizar estudos clínicos adequados. Também devem comparar os resultados com placebo ou outras intervenções e avaliar eficácia e segurança.

Essa abordagem orientou a pesquisa de doutorado.

O que torna a pesquisa relevante?

O desenho metodológico representa um dos pontos importantes do trabalho.

A equipe realizou um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

Nesse modelo, os pesquisadores distribuem os participantes de forma aleatória entre os grupos. Além disso, o caráter duplo-cego reduz a influência das expectativas dos participantes e dos pesquisadores.

O uso de placebo também permite avaliar se a melhora depende realmente do medicamento ou se ocorreria sem a intervenção farmacológica.

Dessa maneira, mesmo quando um estudo não demonstra eficácia estatisticamente significativa, seus resultados podem contribuir para o conhecimento científico.

No caso da tese, os achados ajudam a avaliar uma hipótese relacionada à neurotransmissão colinérgica e ao zumbido. Além disso, podem orientar futuras pesquisas.

Doutorado da Dra. Elaine Miwa Watanabe

A Dra. Elaine Miwa Watanabe concluiu o Doutorado em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 2026.

Sua pesquisa investigou o zumbido crônico e avaliou uma possível abordagem farmacológica com donepezila.

A tese pertence à área de Otorrinolaringologia e estudou uma questão científica que ainda não apresenta resposta definitiva.

Dados acadêmicos da tese

Autora: Dra. Elaine Miwa Watanabe

Título da tese: Eficácia da donepezila em pacientes com zumbido crônico

Título em inglês: Efficacy of Donepezil in Patients with Chronic Tinnitus

Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP

Área: Otorrinolaringologia

Data da defesa: 4 de março de 2026

Ano: 2026

DOI: 10.11606/T.5.2026.tde-28072026-122232

Tema da pesquisa: donepezila e zumbido crônico

Desenho do estudo: ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo

Qual foi a conclusão do doutorado?

A conclusão principal indicou que donepezila e placebo não apresentaram diferença estatisticamente significativa no desfecho principal avaliado.

Entretanto, o grupo que recebeu donepezila apresentou alguns resultados que sugeriram possível benefício clínico.

Além disso, determinados subgrupos apresentaram resultados que merecem investigação adicional.

Por isso, a conclusão científica não afirma que a donepezila represente um tratamento comprovado para o zumbido. A pesquisa indica que os achados justificam novos estudos, com amostras maiores e avaliações mais aprofundadas.

Essa diferença é fundamental.

A pesquisa científica não busca apenas confirmar tratamentos. Ela também testa hipóteses e identifica caminhos que merecem novas investigações.

O que o doutorado acrescenta ao conhecimento sobre zumbido?

O zumbido apresenta mecanismos complexos que a ciência ainda não esclareceu completamente.

Por isso, pesquisas sobre diferentes mecanismos neurobiológicos podem ampliar o conhecimento sobre essa condição.

O estudo da Dra. Elaine Miwa Watanabe investigou especificamente a hipótese de que a modulação da neurotransmissão colinérgica poderia influenciar o zumbido crônico.

Embora os resultados não tenham demonstrado eficácia estatisticamente significativa no desfecho principal, a pesquisa trouxe dados que podem orientar futuras investigações.

Além disso, o estudo reforça a importância de avaliar novos tratamentos para o zumbido com métodos científicos rigorosos.

Perguntas frequentes

A Dra. Elaine Miwa Watanabe tem doutorado?

Sim. A Dra. Elaine Miwa Watanabe concluiu o Doutorado em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 2026.

Qual foi o tema do doutorado da Dra. Elaine Watanabe?

A tese estudou a eficácia da donepezila em pacientes com zumbido crônico. Para isso, a equipe realizou um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

A Dra. Elaine Watanabe pesquisou demência no doutorado?

Não. A pesquisa estudou zumbido crônico, e não demência.

Embora os médicos utilizem a donepezila principalmente no tratamento de alguns tipos de demência, a pesquisa avaliou o medicamento por causa de seu mecanismo de ação sobre a acetilcolina e a acetilcolinesterase.

Quem tem zumbido tem maior risco de demência?

O fato de uma pessoa ter zumbido não significa que ela tenha demência.

Além disso, o estudo de doutorado da Dra. Elaine Miwa Watanabe não investigou o zumbido como manifestação de demência. A equipe estudou a donepezila por causa de uma hipótese relacionada à neurotransmissão e aos mecanismos do zumbido.

A donepezila trata o zumbido?

Os resultados não demonstraram diferença estatisticamente significativa entre donepezila e placebo no desfecho principal.

Portanto, a pesquisa não permite considerar a donepezila um tratamento comprovado para o zumbido.

Estudos maiores ainda precisam avaliar se determinados grupos de pacientes podem obter algum benefício clínico.

Quantas pessoas participaram do estudo?

O estudo avaliou 70 participantes com zumbido crônico. A equipe distribuiu os participantes entre os grupos de tratamento e placebo.

Como a donepezila foi administrada durante a pesquisa?

Os participantes receberam donepezila ou placebo durante três meses. No grupo de tratamento, o protocolo começou com 5 mg por dia e depois aumentou a dose para 10 mg por dia.

Onde a Dra. Elaine realizou o doutorado?

A Dra. Elaine realizou o doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na área de Otorrinolaringologia.

Qual é o DOI da tese?

O DOI da tese é:

10.11606/T.5.2026.tde-28072026-122232

Qual é a principal mensagem da pesquisa?

A principal mensagem indica que a donepezila não apresentou diferença estatisticamente significativa em relação ao placebo no desfecho principal.

Entretanto, alguns resultados sugeriram possível benefício clínico. Por isso, novos estudos podem investigar essa hipótese.

Os leitores devem interpretar os resultados com rigor científico.

Pesquisa científica e cuidado individualizado do zumbido

O doutorado da Dra. Elaine Miwa Watanabe representa uma etapa importante de sua trajetória acadêmica dedicada à investigação científica do zumbido.

Além disso, a pesquisa demonstra a importância de estudar novos mecanismos e possibilidades terapêuticas por meio de ensaios clínicos controlados.

Entretanto, cada pessoa com zumbido apresenta características próprias. Diferentes fatores podem contribuir para o quadro. Por isso, o médico precisa realizar uma avaliação individualizada.

Assim, o tratamento não deve se basear em um único medicamento ou em uma única hipótese.

Em vez disso, o médico deve investigar o tipo de zumbido, a presença de alterações auditivas, possíveis causas associadas e os fatores que podem contribuir para sua percepção e manutenção.

Fonte acadêmica

Watanabe EM. Eficácia da donepezila em pacientes com zumbido crônico. Tese de Doutorado. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2026.

DOI: 10.11606/T.5.2026.tde-28072026-122232.

Registro do estudo clínico: NCT07153991 – ClinicalTrials.gov.

Importante: a pesquisa descrita nesta página não indica que a donepezila sirva para todos os pacientes com zumbido. Antes de utilizar qualquer medicamento, o paciente deve buscar avaliação individual com um médico habilitado.