
Zumbido pulsátil: o que é e quando se preocupar
Dra Elaine Miwa Watanabe é médica especialista em otorrinolaringologia pesquisadora em zumbido no ouvido
Você já ouviu alguém dizer que o aparelho auditivo cura o zumbido? Embora essa afirmação pareça simples, ela não é totalmente verdadeira. Na realidade, o aparelho auditivo pode ser uma excelente ferramenta para reduzir o incômodo causado pelo zumbido, desde que ele esteja corretamente indicado. Em outras palavras, tudo depende da causa do zumbido e das características da audição de cada pessoa.
Essa é justamente uma das maiores dúvidas entre os pacientes que procuram um especialista: vale a pena investir em um aparelho auditivo para tratar o zumbido?
A resposta é: em muitos casos, sim. Entretanto, nem todo zumbido melhora com aparelho auditivo.
Portanto, antes de escolher qualquer dispositivo, é fundamental compreender por que o zumbido surgiu e se existe perda auditiva associada. Afinal, o tratamento ideal não depende apenas da intensidade do zumbido, mas principalmente da sua causa.
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ToggleResposta rápida: aparelho auditivo melhora o zumbido?
Sim, QUANDO TEM INDICAÇÃO. Diversos estudos científicos demonstram que pessoas com zumbido associado à perda auditiva frequentemente apresentam melhora significativa após a adaptação de um aparelho auditivo corretamente ajustado.
Isso acontece porque o aparelho:
- melhora a audição;
- aumenta a quantidade de sons ambientais percebidos;
- reduz o contraste entre o silêncio e o zumbido;
- favorece a reorganização das vias auditivas cerebrais (neuroplasticidade);
- pode oferecer programas específicos de terapia sonora em alguns modelos.
Por outro lado, quando o zumbido possui outra origem — por exemplo muscular, temporomandibular, vascular ou neurológica — o aparelho auditivo pode não produzir qualquer benefício.
Consequentemente, comprar um aparelho auditivo sem uma investigação adequada pode gerar frustração e gastos desnecessários.
Por que existe relação entre perda auditiva e zumbido?
Embora muitas pessoas pensem que o zumbido seja uma doença, ele é, na verdade, um sintoma. Ou seja, representa um sinal de que algo está acontecendo no sistema auditivo ou, até mesmo, em outras partes do organismo.
Entre todas as causas possíveis, a perda auditiva é uma das mais frequentes.
Quando algumas células sensoriais da cóclea deixam de funcionar adequadamente, o cérebro passa a receber menos estímulos sonoros provenientes do ambiente. Como consequência, determinadas regiões responsáveis pelo processamento dos sons tornam-se mais sensíveis.
Esse aumento da atividade neuronal pode ser interpretado pelo cérebro como um som inexistente, originando o zumbido.
Portanto, em muitos pacientes, o problema não está apenas no ouvido, mas principalmente na forma como o cérebro reage à diminuição dos estímulos auditivos.
Como o aparelho auditivo pode diminuir o zumbido?
À primeira vista, pode parecer estranho imaginar que aumentar os sons do ambiente seja capaz de diminuir um ruído interno.
No entanto, é exatamente isso que costuma acontecer.
Quando o aparelho auditivo amplifica os sons externos, o cérebro volta a receber informações auditivas que estavam reduzidas pela perda auditiva.
Como resultado, ocorre uma diminuição da importância que o cérebro atribui ao zumbido.
Esse processo acontece por diferentes mecanismos.
1. Redução do silêncio
Pacientes com zumbido costumam relatar que o sintoma piora principalmente durante a noite ou em ambientes muito silenciosos.
Isso ocorre porque, quando há pouco som ao redor, o cérebro concentra mais atenção no zumbido.
Entretanto, ao melhorar a percepção dos sons ambientais, o aparelho auditivo reduz esse contraste entre o silêncio e o zumbido.
Consequentemente, o ruído interno tende a ficar menos evidente.
2. Enriquecimento sonoro
Outro mecanismo importante é chamado de enriquecimento sonoro.
Em vez de permanecer em um ambiente praticamente silencioso, o cérebro passa a receber uma quantidade muito maior de estímulos auditivos.
Esses estímulos competem com o zumbido pela atenção cerebral.
Assim, pouco a pouco, o cérebro deixa de considerar o zumbido como o principal som presente.
Esse conceito é utilizado em diversas terapias modernas para tratamento do zumbido.
3. Neuroplasticidade
Além disso, existe um fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
O cérebro possui enorme capacidade de adaptação.
Quando volta a receber estímulos auditivos adequados durante semanas ou meses, ele reorganiza parcialmente suas conexões neurais.
Como consequência, muitos pacientes passam a perceber menos o zumbido.
É justamente por esse motivo que a melhora costuma ocorrer de forma gradual, e não imediatamente após colocar o aparelho.
O aparelho auditivo serve para todos os tipos de zumbido?
Não.
Essa talvez seja a informação mais importante de todo o tratamento.
Embora o aparelho auditivo seja extremamente útil para pacientes com perda auditiva, ele não é um tratamento universal para o zumbido.
Existem dezenas de causas diferentes para esse sintoma.
Entre elas podemos citar:
- alterações da articulação temporomandibular (ATM);
- tensão muscular cervical;
- zumbido somatossensorial;
- alterações neurológicas;
- estresse e ansiedade.
Cada uma dessas condições exige uma abordagem diferente.
Por isso, simplesmente comprar um aparelho auditivo esperando eliminar qualquer tipo de zumbido raramente produz bons resultados.
Se meu zumbido for muscular, o aparelho auditivo funciona?
Na maioria das vezes, não.
O chamado zumbido somatossensorial, que inclui alterações musculares, cervicais ou relacionadas à articulação temporomandibular (ATM), costuma responder melhor ao tratamento da sua causa específica.
Nessas situações, o aparelho auditivo não modifica a origem do problema.
Da mesma forma, pacientes com espasmos musculares do ouvido médio ou alterações da musculatura cervical geralmente necessitam de uma investigação completamente diferente.
Por esse motivo, a consulta com um médico otorrinolaringologista experiente em zumbido é fundamental antes de indicar qualquer aparelho auditivo.
A perda auditiva precisa ser grande para o aparelho ajudar?
Não.
Esse é outro mito bastante comum.
Muitas pessoas acreditam que somente perdas auditivas importantes justificariam o uso do aparelho auditivo para aliviar o zumbido.
Entretanto, isso não corresponde ao que observamos na prática clínica nem ao que demonstram diversos estudos científicos.
Existem pacientes com perdas auditivas discretas que apresentam um zumbido extremamente intenso.
Da mesma forma, pessoas com perdas auditivas importantes podem apresentar pouco ou nenhum zumbido.
Em outras palavras, a intensidade do zumbido não acompanha necessariamente o grau da perda auditiva.
Por isso, a indicação do aparelho não depende apenas do resultado da audiometria.
Também são considerados fatores como:
- dificuldade para compreender a fala;
- impacto do zumbido na qualidade de vida;
- hábitos diários;
- necessidade profissional;
- idade;
- expectativa do paciente;
- exames complementares.
Assim, duas pessoas com audiometrias muito semelhantes podem receber recomendações completamente diferentes.
Por que o zumbido não sumiu 100% com o aparelho auditivo?
Uma das maiores frustrações de quem começa a usar um aparelho auditivo é perceber que, após alguns dias ou semanas, o zumbido continua presente. Naturalmente, muitos pacientes concluem que o tratamento “não funcionou”. Entretanto, essa conclusão costuma ser precipitada.
Na prática, existem diversas razões pelas quais o zumbido pode persistir mesmo quando o aparelho auditivo é de excelente qualidade. Além disso, nem sempre o problema está no equipamento. Muitas vezes, a causa está relacionada ao diagnóstico, à adaptação ou até mesmo às expectativas em relação ao tratamento.
Por isso, antes de desistir do uso do aparelho, vale a pena entender o que pode estar acontecendo.
O zumbido pode ter outra causa
Em primeiro lugar, é importante lembrar que o aparelho auditivo atua principalmente quando existe perda auditiva que contribui para o aparecimento do zumbido.
Entretanto, nem todo zumbido é provocado por alterações da audição.
Dependendo do caso, ele pode estar relacionado a fatores como:
- alterações da articulação temporomandibular (ATM);
- tensão da musculatura cervical;
- zumbido somatossensorial;
- doenças do ouvido interno;
- doenças vasculares;
- medicamentos ototóxicos;
- alterações metabólicas;
- distúrbios do sono;
- ansiedade ou estresse, que podem aumentar a percepção do sintoma.
Nessas situações, embora o aparelho auditivo possa melhorar a audição, ele não trata a origem do zumbido. Consequentemente, o paciente pode continuar percebendo o ruído mesmo usando o dispositivo corretamente.
É justamente por isso que a avaliação médica completa continua sendo indispensável antes da indicação do aparelho auditivo.
O aparelho auditivo precisa estar bem ajustado
Outro fator extremamente importante é a programação do aparelho auditivo.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, dois pacientes com a mesma audiometria podem precisar de ajustes completamente diferentes.
Cada cérebro responde de maneira particular aos estímulos sonoros.
Além disso, existem diferenças relacionadas ao estilo de vida, ao grau de perda auditiva, à sensibilidade aos sons e ao próprio zumbido.
Por isso, a regulagem do aparelho deve ser individualizada.
Quando essa programação não está adequada, alguns problemas podem ocorrer:
- sons excessivamente altos;
- desconforto durante o uso;
- dificuldade para compreender a fala;
- pouca amplificação das frequências mais afetadas;
- ausência de melhora do zumbido.
Nesses casos, o melhor caminho não é abandonar o aparelho, mas retornar ao fonoaudiólogo ou audiologista responsável pela adaptação para realizar novos ajustes.
Aparelho auditivo não “laceia”
Existe uma comparação bastante útil para explicar essa situação.
Algumas pessoas acreditam que, se o aparelho estiver desconfortável, basta insistir que, com o tempo, ele “amacia”, como acontece com um sapato novo.
Na realidade, isso não acontece.
Se o aparelho estiver mal regulado, o desconforto provavelmente continuará.
Portanto, sentir excesso de sons, incômodo intenso ou dificuldade para usar o aparelho durante todo o dia não deve ser considerado normal.
Na maioria das vezes, esses sintomas indicam necessidade de nova programação.
Quanto tempo demora para o zumbido melhorar?
Essa é outra pergunta extremamente frequente.
Infelizmente, não existe um prazo único que sirva para todos os pacientes.
Embora algumas pessoas relatem melhora, geralmente é necessário alguns meses para perceber uma redução significativa do incômodo.
Isso acontece porque o cérebro necessita de tempo para reorganizar o processamento das informações auditivas.
Esse fenômeno recebe o nome de neuroplasticidade.
Em outras palavras, o sistema nervoso precisa aprender novamente a interpretar os sons que voltaram a ser percebidos graças ao aparelho auditivo.
Portanto, esperar melhora completa após poucos dias costuma gerar expectativas irreais.
Assim como acontece quando alguém troca os óculos por uma nova graduação, o cérebro precisa de um período de adaptação antes que a nova condição se torne natural.
A neuroplasticidade explica parte dos resultados
A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro possui de modificar suas conexões em resposta aos estímulos recebidos.
Embora esse conceito seja bastante estudado em diversas áreas da neurologia, ele também desempenha papel importante na audição.
Quando existe perda auditiva, determinadas regiões cerebrais recebem menos informações sonoras.
Como consequência, ocorre um aumento da sensibilidade dessas áreas.
Esse aumento da atividade neuronal pode favorecer a percepção do zumbido.
Entretanto, quando o aparelho auditivo restaura parte dos estímulos auditivos, o cérebro inicia um processo gradual de reorganização.
Com o passar das semanas, muitas pessoas deixam de prestar tanta atenção ao zumbido.
Vale destacar que isso não significa, necessariamente, que o zumbido desapareceu. Em muitos casos, ele continua existindo, porém passa a ocupar um plano secundário na percepção do paciente.
Esse é um dos principais objetivos do tratamento moderno do zumbido.
O aparelho auditivo deve ser usado todos os dias?
Sim.
Para que o cérebro receba estímulos auditivos consistentes, o aparelho deve ser utilizado diariamente, durante a maior parte do tempo em que a pessoa estiver acordada.
Muitos pacientes utilizam o aparelho apenas em reuniões, consultas ou eventos sociais.
Embora essa estratégia possa melhorar a comunicação nessas situações específicas, ela costuma ser insuficiente para favorecer a adaptação cerebral relacionada ao zumbido.
Quanto mais constante for o estímulo auditivo, maiores tendem a ser os benefícios da reabilitação auditiva.
Naturalmente, existem exceções, que serão definidas pelo profissional responsável pela adaptação.
Entretanto, de maneira geral, o uso contínuo apresenta melhores resultados do que o uso eventual.
O silêncio pode aumentar a percepção do zumbido
Grande parte das pessoas com zumbido percebe que o sintoma parece mais intenso durante a noite.
Isso não significa que o zumbido realmente aumentou.
Na verdade, o ambiente ficou mais silencioso.
Quando há poucos sons externos competindo pela atenção do cérebro, o zumbido torna-se mais evidente.
É exatamente por esse motivo que muitos pacientes relatam dificuldade para dormir em ambientes completamente silenciosos.
Da mesma forma, permanecer longos períodos em locais sem estímulos sonoros pode aumentar a percepção do sintoma.
O que é enriquecimento sonoro?
O enriquecimento sonoro consiste em aumentar, de forma natural e confortável, a quantidade de sons presentes no ambiente.
O objetivo não é esconder completamente o zumbido.
Ao contrário, procura-se oferecer ao cérebro outros estímulos auditivos para que ele deixe de concentrar toda a atenção no ruído interno.
Dependendo da situação, podem ser utilizados:
- sons da natureza;
- chuva;
- água corrente;
- música ambiente suave;
- ventilador;
- sons relaxantes;
- conversas;
- atividades ao ar livre.
O próprio aparelho auditivo contribui significativamente para esse enriquecimento, pois permite que sons ambientais antes pouco percebidos voltem a fazer parte do cotidiano.
Como consequência, o cérebro passa a distribuir sua atenção entre diversos estímulos, reduzindo a importância atribuída ao zumbido.
Alguns aparelhos possuem terapia sonora
Além da amplificação da audição, muitos aparelhos auditivos modernos oferecem recursos adicionais voltados especificamente para pacientes com zumbido.
Entre eles, destaca-se a terapia sonora integrada.
Nesses modelos, é possível programar sons suaves diretamente no aparelho auditivo.
Esses sons podem incluir ruído branco, ruído rosa, sons semelhantes ao mar ou outros estímulos cuidadosamente ajustados pelo profissional.
É importante destacar que o objetivo não é “abafar” completamente o zumbido.
Na realidade, procura-se reduzir o contraste entre o zumbido e o ambiente, favorecendo o processo de habituação cerebral.
Além disso, cada paciente pode responder melhor a um determinado tipo de estímulo sonoro. Por isso, essa programação deve ser personalizada.
O aparelho auditivo resolve o problema sozinho?
Nem sempre.
Embora o aparelho auditivo represente um dos tratamentos mais importantes para pacientes com perda auditiva associada ao zumbido, ele costuma fazer parte de uma abordagem mais ampla.
Dependendo da causa identificada, o tratamento também pode incluir:
- orientação sobre o funcionamento do zumbido;
- controle da exposição a ruídos intensos;
- tratamento de doenças do ouvido;
- manejo da ansiedade e do estresse, quando presentes;
- tratamento da articulação temporomandibular (ATM), quando indicado;
- fisioterapia para alterações cervicais;
- melhora da qualidade do sono;
- acompanhamento com fonoaudiólogo especializado.
Essa abordagem individualizada aumenta significativamente as chances de sucesso.
Além disso, evita a expectativa equivocada de que apenas um dispositivo eletrônico será capaz de resolver todos os casos de zumbido.
Como escolher o melhor aparelho auditivo para quem tem zumbido?
Uma dúvida muito comum entre os pacientes é saber qual seria o “melhor aparelho auditivo para zumbido”. No entanto, essa pergunta não possui uma resposta única.
Na realidade, não existe um aparelho auditivo que seja o melhor para todas as pessoas. Assim como acontece com os óculos, cada paciente possui necessidades diferentes e, portanto, a escolha deve ser individualizada.
A indicação depende de diversos fatores, entre eles:
- tipo de perda auditiva;
- grau da perda auditiva;
- formato do canal auditivo;
- idade;
- rotina de trabalho;
- ambientes frequentados;
- facilidade para manusear o aparelho;
- presença de zumbido;
- hipersensibilidade auditiva (hiperacusia);
- doenças associadas do ouvido.
Por esse motivo, dois pacientes com zumbido podem receber recomendações completamente diferentes, mesmo apresentando exames aparentemente semelhantes.
Nem sempre o aparelho mais caro é o mais indicado
É natural imaginar que um aparelho auditivo de última geração sempre proporcionará os melhores resultados. Entretanto, essa ideia nem sempre corresponde à realidade.
Embora aparelhos mais sofisticados ofereçam recursos adicionais, isso não significa que todos esses recursos serão úteis para todos os pacientes.
Em muitos casos, um modelo intermediário, corretamente adaptado e bem regulado, proporciona resultados superiores aos de um aparelho de alto custo inadequadamente indicado.
Além disso, a experiência do profissional responsável pela adaptação costuma ser tão importante quanto a tecnologia utilizada.
Por isso, antes de decidir pela compra, converse com o médico otorrinolaringologista e com o fonoaudiólogo sobre quais recursos realmente serão úteis para o seu caso.
Quais tecnologias podem ajudar quem tem zumbido?
A evolução tecnológica dos aparelhos auditivos foi enorme nas últimas décadas.
Hoje, além de amplificar os sons, muitos modelos oferecem funções que podem contribuir para reduzir o incômodo causado pelo zumbido.
Entre os recursos disponíveis, destacam-se:
Terapia sonora integrada
Diversos aparelhos atuais possuem programas específicos para terapia sonora.
Esses programas permitem emitir sons suaves que ajudam a reduzir o contraste entre o ambiente e o zumbido.
Dependendo do fabricante, podem estar disponíveis sons semelhantes à chuva, ondas do mar, ruído branco, ruído rosa ou outros estímulos programáveis.
O tipo de som ideal varia conforme a percepção de cada paciente e deve ser ajustado individualmente.
Redução inteligente de ruído
Outra tecnologia bastante útil é o sistema de redução de ruídos ambientais.
Embora ele não elimine completamente sons desagradáveis, ajuda a tornar a comunicação mais confortável em locais movimentados.
Consequentemente, o esforço auditivo diminui e muitos pacientes relatam sensação de maior conforto durante o uso diário.
Direcionalidade dos microfones
Os aparelhos modernos conseguem identificar de onde vem a fala e priorizar esses sons em relação aos ruídos ao redor.
Esse recurso melhora principalmente a compreensão da conversa em restaurantes, reuniões, ambientes familiares e locais com muitas pessoas.
Embora essa tecnologia não trate diretamente o zumbido, ela melhora significativamente a qualidade auditiva, reduzindo o esforço constante para ouvir.
Conectividade
Grande parte dos aparelhos atuais possui conexão com smartphones, tablets e televisores.
Isso permite ouvir chamadas telefônicas, músicas, vídeos e outros conteúdos diretamente no aparelho auditivo.
Além de oferecer praticidade, essa funcionalidade favorece o enriquecimento sonoro durante diferentes atividades do dia.
Aplicativos para ajustes
Alguns fabricantes disponibilizam aplicativos que permitem pequenos ajustes pelo próprio paciente.
Dependendo do modelo, é possível modificar discretamente o volume, trocar programas auditivos e controlar a intensidade da terapia sonora.
Entretanto, ajustes mais complexos continuam dependendo da programação realizada pelo profissional.
Aparelhos recarregáveis são melhores?
Os aparelhos recarregáveis tornaram-se bastante populares nos últimos anos.
Entre suas vantagens estão:
- maior praticidade;
- ausência da troca frequente de pilhas;
- facilidade de uso por idosos;
- menor impacto ambiental;
- carregamento simples durante a noite.
Por outro lado, isso não significa que sejam superiores do ponto de vista do tratamento do zumbido.
O benefício para o zumbido depende muito mais da indicação correta, da adaptação adequada e da programação individualizada do que do tipo de bateria utilizada.
Como é a adaptação em quem também tem hipersensibilidade auditiva?
Algumas pessoas apresentam, além do zumbido, uma condição chamada hipersensibilidade auditiva, também conhecida como hiperacusia.
Nesses casos, sons considerados normais para a maioria das pessoas podem ser percebidos como extremamente desagradáveis ou até dolorosos.
Isso exige cuidados especiais durante a adaptação do aparelho auditivo.
O ajuste costuma ser mais gradual
Quando existe hiperacusia, aumentar rapidamente o volume do aparelho pode piorar o desconforto.
Por isso, normalmente a programação é feita de maneira progressiva.
Inicialmente, o ganho sonoro pode ser menor.
À medida que o cérebro vai se adaptando aos novos estímulos, novos ajustes são realizados.
Esse processo pode exigir várias consultas até que seja encontrada uma configuração confortável.
Embora demande mais paciência, essa estratégia costuma proporcionar melhores resultados a longo prazo.
A adaptação pode levar mais tempo
Pacientes com hipersensibilidade auditiva frequentemente necessitam de um período maior de adaptação.
Isso acontece porque o cérebro apresenta tolerância reduzida aos estímulos sonoros.
Consequentemente, cada etapa do tratamento deve respeitar os limites individuais do paciente.
A pressa, nesse contexto, costuma ser prejudicial.
É normal estranhar o aparelho nos primeiros dias?
Sim.
Durante os primeiros dias de uso, muitos pacientes relatam algumas sensações diferentes.
Por exemplo:
- ouvir a própria voz de maneira diferente;
- perceber sons antes ignorados;
- escutar o barulho dos passos;
- notar o som do papel, das chaves ou dos talheres com maior intensidade.
Na maioria das vezes, essas percepções fazem parte do processo normal de adaptação.
Com o passar das semanas, o cérebro aprende novamente a selecionar os sons realmente importantes.
Esse é mais um exemplo da neuroplasticidade em funcionamento.
Entretanto, caso o desconforto seja intenso ou persistente, novos ajustes podem ser necessários.
É possível trocar de aparelho se não houver adaptação?
Dependendo da política da clínica e do fabricante, muitos pacientes dispõem de um período de experiência.
Esse período permite avaliar o conforto, a adaptação e os benefícios obtidos.
Caso o aparelho escolhido não atenda às necessidades do paciente, pode ser possível realizar ajustes ou, em algumas situações, substituir o modelo.
Por isso, antes da compra, informe-se sobre as condições de teste e adaptação oferecidas pela equipe responsável.
Existe um aparelho específico para tratar o zumbido?
Não exatamente.
Atualmente, não existe um aparelho auditivo desenvolvido exclusivamente para eliminar o zumbido.
O que existem são aparelhos auditivos destinados ao tratamento da perda auditiva que, adicionalmente, podem incluir recursos voltados ao manejo do zumbido, como terapia sonora e programas personalizados.
Portanto, mais importante do que escolher uma marca ou um modelo específico é confirmar se o aparelho realmente está indicado para o seu tipo de perda auditiva e para suas necessidades clínicas.
O sucesso depende apenas da tecnologia?
Definitivamente, não.
Mesmo o aparelho auditivo mais moderno disponível no mercado dificilmente proporcionará bons resultados se alguns aspectos fundamentais forem negligenciados.
Entre eles destacam-se:
- diagnóstico correto da causa do zumbido;
- indicação adequada do aparelho;
- programação individualizada;
- acompanhamento periódico;
- uso diário conforme orientação;
- expectativa realista quanto aos resultados.
Em contrapartida, pacientes que recebem orientação adequada, utilizam o aparelho regularmente e mantêm acompanhamento especializado costumam apresentar índices muito maiores de satisfação.
Em outras palavras, o sucesso do tratamento depende da combinação entre tecnologia, conhecimento técnico e participação ativa do próprio paciente.
O acompanhamento faz toda a diferença
A adaptação de um aparelho auditivo não termina no dia da entrega do dispositivo.
Na verdade, esse é apenas o início do processo de reabilitação auditiva.
Ao longo das semanas e dos meses seguintes, podem ser necessários novos ajustes para melhorar o conforto, otimizar a compreensão da fala e aperfeiçoar o controle do zumbido.
Além disso, mudanças naturais da audição ao longo dos anos podem exigir reprogramações periódicas.
Por isso, manter o acompanhamento com o médico otorrinolaringologista e com o fonoaudiólogo é fundamental para alcançar os melhores resultados.
Um tratamento bem conduzido não busca apenas amplificar sons, mas também proporcionar uma melhora real da qualidade de vida, permitindo que o paciente volte a participar de conversas, atividades sociais e momentos de lazer com mais conforto e segurança.
Aparelho auditivo CROS ajuda no zumbido?
Uma dúvida frequente entre pacientes que apresentam perda auditiva em apenas um ouvido é se o aparelho auditivo CROS também pode ajudar a reduzir o zumbido. A resposta é: depende da causa do zumbido e do tipo de perda auditiva.
O sistema CROS (Contralateral Routing of Signal) foi desenvolvido para pessoas que possuem perda auditiva profunda ou não aproveitável em um ouvido, enquanto o outro apresenta audição normal ou próxima do normal.
Nessa situação, em vez de tentar amplificar um ouvido que praticamente não consegue aproveitar os sons, o sistema capta o som do lado comprometido e o transmite, por tecnologia sem fio, para o ouvido com melhor audição.
Como consequência, o paciente passa a perceber sons provenientes dos dois lados do ambiente, melhorando a comunicação e a sensação de espacialidade.
Embora o objetivo principal do sistema CROS não seja tratar o zumbido, alguns pacientes relatam diminuição do incômodo justamente porque passam a receber maior quantidade de estímulos sonoros.
Entretanto, esse benefício não ocorre em todos os casos. Portanto, a indicação deve ser individualizada.
Como funciona o aparelho auditivo CROS?
O funcionamento é relativamente simples.
Um pequeno microfone é colocado no ouvido com perda auditiva importante. Esse microfone capta os sons daquele lado e os envia, por conexão sem fio, para um receptor instalado no ouvido com melhor audição.
Dessa forma, o paciente consegue perceber sons que antes eram praticamente inacessíveis.
Essa tecnologia oferece vantagens importantes em situações como:
- conversas em grupo;
- reuniões de trabalho;
- restaurantes;
- ambientes com várias pessoas falando;
- trânsito;
- atividades ao ar livre.
Além disso, melhora a percepção dos sons vindos do lado da perda auditiva, reduzindo a necessidade de virar constantemente a cabeça para localizar quem está falando.
O aparelho CROS devolve a audição do ouvido perdido?
Não.
Essa é uma expectativa que precisa ser esclarecida.
O sistema CROS não recupera a audição do ouvido com perda profunda.
Na realidade, ele apenas redireciona os sons para o ouvido que ainda apresenta capacidade auditiva.
Embora isso não restaure a audição binaural natural, melhora significativamente a percepção dos sons do ambiente e facilita a comunicação em diversas situações do dia a dia.
A tecnologia CROS evoluiu muito
Os primeiros aparelhos CROS surgiram na década de 1960.
Naquela época, eram equipamentos maiores, menos confortáveis e utilizavam fios entre os dispositivos.
Além disso, muitos pacientes relatavam sensação de ouvido tampado devido ao fechamento do canal auditivo.
Felizmente, a tecnologia evoluiu de forma significativa.
Os modelos atuais apresentam diversas melhorias, como:
- transmissão digital sem fio;
- conectividade;
- adaptação aberta (open fitting);
- tamanho reduzido;
- melhor qualidade sonora;
- maior conforto durante o uso;
- baterias recarregáveis em muitos modelos.
Esses avanços aumentaram bastante a aceitação e a satisfação dos pacientes.
O aparelho auditivo é igual para todo mundo?
Definitivamente, não.
Essa talvez seja uma das informações mais importantes para quem está pesquisando sobre aparelhos auditivos.
Assim como não existe um único tipo de óculos para todos os problemas de visão, também não existe um único aparelho auditivo capaz de atender todas as perdas auditivas.
A escolha depende de fatores como:
- localização da perda auditiva;
- grau da perda;
- capacidade de discriminação da fala;
- anatomia do ouvido;
- rotina profissional;
- idade;
- destreza manual;
- presença de zumbido;
- presença de hiperacusia;
- expectativas do paciente.
Portanto, a recomendação deve sempre ser personalizada.
O aparelho auditivo pode ser a única parte do tratamento?
Em alguns pacientes, o aparelho auditivo representa o principal tratamento.
Entretanto, em muitos outros casos, ele faz parte de um plano terapêutico mais amplo.
Dependendo da causa do zumbido, podem ser necessários tratamentos complementares, como:
- tratamento de doenças do ouvido interno;
- controle de alterações da articulação temporomandibular (ATM);
- fisioterapia para músculos cervicais;
- manejo da ansiedade e do estresse;
- melhora da qualidade do sono;
- orientação sobre proteção auditiva;
- terapia sonora;
- reabilitação auditiva;
- acompanhamento psicológico, quando indicado.
Essa abordagem integrada costuma proporcionar resultados mais consistentes e duradouros.
Perguntas frequentes
Quem tem zumbido precisa usar aparelho auditivo?
Não.
O aparelho auditivo é indicado principalmente quando existe perda auditiva que contribui para o aparecimento ou agravamento do zumbido.
Se a audição for normal e a causa do zumbido for outra, provavelmente será necessário um tratamento diferente.
O aparelho auditivo elimina completamente o zumbido?
Nem sempre.
Embora alguns pacientes relatem desaparecimento completo do sintoma, o objetivo principal é reduzir o incômodo e melhorar a qualidade de vida.
Na prática, muitos pacientes continuam percebendo o zumbido ocasionalmente, porém deixam de sofrer com ele.
Quanto tempo demora para o aparelho auditivo melhorar o zumbido?
Isso varia de pessoa para pessoa.
Alguns pacientes observam melhora nas primeiras semanas.
Entretanto, em muitos casos, a adaptação cerebral pode levar alguns meses.
Por isso, a utilização regular do aparelho é fundamental.
Posso usar o aparelho apenas quando sair de casa?
Não é o ideal.
Para favorecer a adaptação do cérebro e obter melhores resultados em relação ao zumbido, o aparelho deve ser utilizado durante a maior parte do dia, conforme orientação do profissional responsável.
Existe idade máxima para começar a usar aparelho auditivo?
Não.
A idade, por si só, não impede a adaptação.
Na verdade, muitos idosos apresentam excelente adaptação quando recebem acompanhamento adequado.
Quanto mais cedo a perda auditiva for tratada, maiores costumam ser os benefícios para a comunicação e para a qualidade de vida.
Quem tem perda auditiva leve também pode melhorar o zumbido?
Sim.
A intensidade do zumbido nem sempre acompanha o grau da perda auditiva.
Mesmo perdas leves podem estar associadas a zumbidos bastante incômodos.
Por isso, a indicação do aparelho depende da avaliação clínica completa, e não apenas do resultado da audiometria.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Nem todo zumbido exige o uso de aparelho auditivo. Entretanto, todo zumbido persistente merece investigação médica.
Procure avaliação especializada principalmente se o zumbido:
- persistir por mais de algumas semanas;
- vier acompanhado de perda auditiva;
- surgir apenas em um ouvido;
- apresentar pulsação sincronizada com os batimentos cardíacos;
- estiver associado à tontura;
- causar dificuldade para dormir;
- interferir nas atividades diárias;
- piorar progressivamente.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de indicar o tratamento mais adequado.
Conclusão
O aparelho auditivo pode representar um dos tratamentos mais eficazes para pacientes cujo zumbido está associado à perda auditiva. Ao melhorar a percepção dos sons ambientais, favorecer o enriquecimento sonoro e estimular a neuroplasticidade, ele pode reduzir significativamente o incômodo causado pelo zumbido e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
Entretanto, é importante lembrar que o aparelho auditivo não é indicado para todos os tipos de zumbido. Como existem diversas causas para esse sintoma, o sucesso do tratamento depende de um diagnóstico preciso, da escolha adequada do dispositivo e de uma adaptação individualizada.
Além disso, ajustes periódicos, uso diário e acompanhamento com um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo experientes fazem parte do processo de reabilitação auditiva.
Se você apresenta zumbido, especialmente quando associado à perda auditiva, evite escolher um aparelho auditivo apenas com base em propagandas ou recomendações de terceiros. Uma avaliação especializada permitirá identificar a causa do problema e definir qual abordagem oferece as maiores chances de sucesso para o seu caso.
Principais pontos deste artigo
- O aparelho auditivo pode ajudar a reduzir o zumbido quando ele está relacionado à perda auditiva.
- Nem todo zumbido melhora com aparelho auditivo, pois existem diversas causas para esse sintoma.
- A programação personalizada do aparelho é tão importante quanto a tecnologia utilizada.
- A melhora costuma ser gradual e depende da neuroplasticidade do cérebro.
- O uso diário favorece a adaptação e aumenta as chances de sucesso.
- Alguns aparelhos oferecem terapia sonora integrada, que pode complementar o tratamento.
- Pacientes com hiperacusia podem precisar de uma adaptação mais lenta e cuidadosa.
- O sistema CROS é uma excelente opção para casos selecionados de perda auditiva importante unilateral.
- O tratamento do zumbido deve ser individualizado e baseado em diagnóstico médico.
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