
Exames para zumbido
Dra Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista pesquisadora em zumbido no ouvido
O zumbido no ouvido é um sintoma comum, porém complexo, que pode ter diversas origens. Por esse motivo, a investigação correta é fundamental para compreender a causa, definir a gravidade e direcionar o tratamento mais adequado. Embora muitas pessoas acreditem que exista apenas um exame específico para zumbido, na prática a avaliação envolve um conjunto de exames clínicos, auditivos, laboratoriais e, em alguns casos, de imagem.
A seguir, explicamos detalhadamente quais exames podem ser solicitados, para que servem e quando são indicados, sempre sob a ótica do especialista em zumbido no ouvido.
O que o especialista em zumbido no ouvido avalia no exame físico?
Antes de qualquer exame complementar, o passo inicial é sempre a consulta médica detalhada. Primeiramente, o especialista escuta atentamente a queixa do paciente, investigando quando o zumbido começou, como ele é percebido, se ocorre em um ou nos dois ouvidos e se existem fatores que pioram ou aliviam o sintoma. Além disso, é essencial conhecer todas as medicações em uso, tratamentos prévios e doenças associadas.
Em seguida, realiza-se o exame físico otorrinolaringológico. Nesse momento, o médico avalia o conduto auditivo externo para identificar possíveis fatores obstrutivos, como cerume em excesso, inflamações ou infecções. Isso é importante porque, em alguns casos, a simples remoção de um fator local pode fazer o zumbido diminuir significativamente ou até desaparecer imediatamente.
Além disso, o exame não se restringe apenas ao ouvido. Avaliam-se também:
- equilíbrio;
- condições da mordida;
- articulações temporomandibulares (ATM);
- coluna cervical;
- possíveis assimetrias musculares e ósseas.
Esses fatores, embora muitas vezes negligenciados, podem interferir diretamente na percepção do zumbido.
Por fim, pode-se utilizar o diapasão, um instrumento simples e rápido, que ajuda a diferenciar alterações da via aérea e da via óssea. Dessa forma, é possível levantar hipóteses iniciais sobre o tipo de comprometimento auditivo envolvido.
Teste somático
A saber faz parte do exame físico para avaliar o zumbido no ouvido e testar se há modulação do zumbido durante o exame.
Audiometria: exame fundamental na investigação do zumbido
De maneira geral, a audiometria tonal e vocal é um dos primeiros exames solicitados. Ela permite avaliar os limiares auditivos e identificar possíveis perdas auditivas associadas ao zumbido.
Entretanto, é importante destacar que uma audiometria normal não exclui a origem auditiva do zumbido. Isso ocorre porque existem alterações microscópicas no sistema auditivo que não são detectadas nesse exame convencional.
Por esse motivo, dependendo do caso, o especialista pode solicitar exames complementares, como:
- audiometria vocal;
- índice percentual de reconhecimento de fala;
- limiar de desconforto auditivo;
- audiometria de altas frequências.
Assim, a avaliação se torna mais sensível e detalhada.
Impedanciometria: avaliação do ouvido médio
A impedanciometria analisa principalmente a saúde do ouvido médio. Esse exame verifica:
- a elasticidade do tímpano;
- o funcionamento da cadeia ossicular;
- a presença de líquido ou alterações de pressão.
Portanto, ele ajuda a identificar problemas que podem contribuir para o zumbido, especialmente quando há sensação de ouvido tampado ou histórico de infecções.
Reflexo acústico: o que ele demonstra?
O reflexo acústico avalia a integridade da via auditiva e a atividade do nervo facial. Em outras palavras, esse exame mostra se o sistema auditivo está respondendo adequadamente a estímulos sonoros intensos.
Alterações nesse reflexo podem fornecer pistas importantes sobre o local da lesão e auxiliar no raciocínio diagnóstico.
Otoemissões acústicas: quando a audiometria é normal
As otoemissões acústicas fazem parte dos chamados exames eletrofisiológicos. Elas avaliam o funcionamento das células ciliadas externas da cóclea, estruturas fundamentais para a audição.
Muitas vezes, o paciente apresenta audiometria normal, porém alterações nas otoemissões. Isso indica que já existe um comprometimento inicial do sistema auditivo, mesmo antes de aparecer uma perda auditiva detectável.
Além disso, esses exames são especialmente úteis quando o zumbido é unilateral ou quando há assimetria entre os ouvidos.
Exames de imagem na investigação do zumbido
Em determinados casos, é necessária uma investigação mais aprofundada por meio de exames de imagem. Contudo, é importante ressaltar que nem todos os pacientes precisam realizá-los.
Entre os exames que podem ser solicitados estão:
- tomografia computadorizada dos ossos temporais;
- ressonância magnética do ouvido interno e ângulo pontocerebelar (preferencialmente com contraste);
- ressonância magnética de crânio.
Quando há suspeita de zumbido pulsátil de origem vascular, podem ser indicados:
- ultrassonografia Doppler de carótidas;
- angiorressonância arterial e venosa.
É relativamente comum encontrar achados como alça vascular, que podem ou não estar relacionados ao zumbido. Por isso, a interpretação médica é indispensável.
Além disso, em situações específicas, imagens da coluna cervical ou da articulação temporomandibular também podem ser necessárias.
Exames de sangue: o que eles avaliam?
Os exames laboratoriais não costumam identificar diretamente a causa do zumbido, porém são extremamente importantes. Eles ajudam a detectar alterações metabólicas, hormonais e inflamatórias que podem agravar o sintoma.
Por exemplo, distúrbios do metabolismo da glicose podem causar lesões microscópicas no ouvido interno, favorecendo o aparecimento ou piora do zumbido. Da mesma forma, alterações de tireoide, deficiências vitamínicas e dislipidemias devem ser investigadas.
Acufenometria: exame específico para caracterizar o zumbido
A acufenometria é um exame que fornece informações detalhadas sobre o próprio zumbido. Por meio dela, é possível medir:
- pitch: o tom do zumbido, expresso em Hertz;
- loudness: a intensidade ou volume, medida em decibéis;
- minimum masking level: nível sonoro necessário para mascarar o zumbido.
Esses dados são extremamente úteis tanto para o acompanhamento clínico quanto para a avaliação da resposta ao tratamento ao longo do tempo.
Para que serve a audiometria de altas frequências?
A audiometria de altas frequências avalia limiares acima de 8 kHz. Ela é especialmente indicada quando o paciente descreve o zumbido como muito fino ou muito agudo.
Mesmo que a audiometria convencional esteja normal, esse exame pode revelar alterações importantes, além de permitir avaliar a simetria entre os ouvidos.
Exame otoneurológico: zumbido e tontura
O zumbido pode ou não estar associado à tontura. Entretanto, quando ambos estão presentes, a investigação deve ser ainda mais cuidadosa.
Isso ocorre porque o nervo vestibulococlear (VIII par craniano) é responsável tanto pela audição quanto pelo equilíbrio. Assim, uma alteração nesse nervo pode causar sintomas auditivos e vestibulares simultaneamente.
O exame otoneurológico ajuda a diferenciar a origem desses sintomas e direcionar exames adicionais, quando necessários.
Eletrococleografia: quando é indicada?
A eletrococleografia (ECoG) avalia a pressão dentro do labirinto e pode identificar a chamada hidropsia endolinfática. Esse exame é frequentemente utilizado na investigação da Doença de Ménière.
Pacientes que relatam episódios de tontura associados a aumento do zumbido e da perda auditiva durante as crises costumam ser candidatos a esse exame, sempre sob orientação médica.
Por que procurar um médico especialista em zumbido?
Embora existam várias abordagens terapêuticas, médicas e não médicas, a avaliação médica é indispensável. Somente o médico está habilitado para:
- solicitar os exames corretos;
- interpretar adequadamente os resultados;
- descartar causas graves;
- indicar o tratamento mais adequado.
A partir dessa avaliação, pode-se definir se o tratamento será medicamentoso, se envolverá outras especialidades ou se exigirá acompanhamento multidisciplinar.
Em resumo, os exames para investigar o zumbido no ouvido devem ser sempre individualizados. Cada paciente apresenta uma história única, e é exatamente essa personalização que permite um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais eficaz.
Para que serve o exame de acufenometria quando a pessoa tem zumbido? Entenda como é o exame, para que serve e o que fazer com o resultado desse exame para zumbido.
Dra Elaine M Watanabe explica nesse artigo qual a relação das altas frequências e zumbido no ouvido. Saiba qual a diferença com o exame de audiometria convencional e quando é necessário esse exame.
Primeiramente descubra as causas e os exames essenciais para o zumbido no ouvido. Assim,, entenda o que é este sintoma e, em seguida, explore exames como ressonância magnética, audiometria e tomografia. Consequentemente, encontre o diagnóstico preciso e o tratamento adequado para o seu caso. Além disso, saiba a diferença entre ressonância e tomografia e como uma avaliação médica criteriosa é fundamental para o alívio.
Assim, entenda para que serve a audiometria no zumbido e como esse exame simples contribui para avaliar sua audição.
A saber, descubra seu tipo de zumbido no ouvido: entenda as causas, características e a importância de um diagnóstico preciso para um tratamento eficaz.
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