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Dra Elaine Miwa Watanabe

Dra Elaine Miwa Watanabe
Otorrinolaringologista
Zumbido tem tratamento
Zumbido com audiometria normal

É possível ter zumbido com audiometria normal?

Dra Elaine Miwa Watanabe é médica especialista em otorrinolaringologia pesquisadora em zumbido no ouvido

Muitas pessoas ficam surpresas ao receber o resultado da audiometria normal e, ao mesmo tempo, continuarem ouvindo um chiado, apito ou outro som constante. Diante dessa situação, é comum surgir a dúvida: se minha audiometria está normal, por que tenho zumbido?

A resposta é simples: ter audiometria normal não significa, necessariamente, que o zumbido não tenha origem no ouvido. Na verdade, diversos pacientes apresentam exames auditivos convencionais dentro da normalidade e, ainda assim, possuem alterações que podem estar relacionadas ao surgimento do zumbido.

Além disso, nem todo zumbido tem causa exclusivamente auditiva. Em alguns casos, ele pode ser consequência de alterações em outras partes do organismo. Por isso, a investigação precisa ser ampla, criteriosa e realizada por um médico otorrinolaringologista experiente no diagnóstico do zumbido.

O que é o zumbido no ouvido?

Antes de tudo, é importante compreender o que realmente significa o zumbido.

O zumbido, também chamado de tinnitus, é a percepção de um som sem que exista uma fonte sonora externa. Em outras palavras, a pessoa escuta um ruído que não está presente no ambiente.

Esse som pode ser percebido como:

  • chiado;
  • apito;
  • cigarra;
  • panela de pressão;
  • motor;
  • pulsação;
  • cachoeira;
  • ou diversos outros tipos de ruídos.

Entretanto, é importante destacar que o zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma. Assim como a febre pode indicar inúmeras doenças diferentes, o zumbido também pode representar alterações em diferentes sistemas do organismo.

Consequentemente, identificar sua verdadeira causa é uma das etapas mais importantes para definir o tratamento adequado.

O que é a audiometria?

A audiometria é um dos exames mais importantes para avaliar a audição.

No entanto, muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que ela consegue analisar absolutamente todas as funções do ouvido. Na realidade, isso não acontece.

A avaliação auditiva costuma envolver diferentes exames, sendo os principais:

Audiometria tonal

A audiometria tonal mede os limiares auditivos, ou seja, identifica os sons mais fracos que a pessoa consegue ouvir em diferentes frequências.

Normalmente, esse exame avalia frequências entre 250 Hz e 8.000 Hz, consideradas fundamentais para a compreensão da fala.

Audiometria vocal

Além disso, realiza-se a audiometria vocal, responsável por verificar o quanto o paciente consegue compreender palavras durante o exame.

Dessa maneira, é possível avaliar não apenas se o indivíduo escuta, mas também se entende corretamente o que está ouvindo.

Imitanciometria

Por outro lado, a imitanciometria analisa o funcionamento da membrana timpânica e da orelha média.

Além disso, esse exame também avalia alguns reflexos auditivos importantes que fornecem informações sobre parte da via auditiva.

Portanto, a audiometria convencional fornece informações extremamente relevantes. Entretanto, ela não consegue detectar todas as alterações que podem existir no sistema auditivo.

Audiometria normal significa que o ouvido está totalmente saudável?

A resposta é não.

Embora uma audiometria normal seja um excelente sinal, ela não exclui completamente a possibilidade de existir alguma alteração no ouvido.

Isso acontece porque o sistema auditivo é extremamente complexo. Além disso, existem alterações microscópicas e funcionais que não aparecem nos exames convencionais.

Assim, uma pessoa pode apresentar audição considerada normal e, ainda assim, desenvolver zumbido de origem auditiva.

Por esse motivo, o diagnóstico nunca deve ser baseado apenas na audiometria.

O exame de audiometria possui limitações

Um dos pontos mais importantes é entender que a audiometria convencional possui limitações técnicas.

Na maioria dos laboratórios, o exame avalia apenas frequências entre 250 Hz e 8.000 Hz.

Entretanto, muitos pacientes com zumbido apresentam alterações justamente nas frequências acima de 8.000 Hz, região que não é analisada pelo exame tradicional.

Consequentemente, a audiometria pode ser considerada normal, enquanto pequenas lesões nas células auditivas continuam presentes.

Nesses casos, o médico pode solicitar a audiometria de altas frequências, exame que amplia a investigação da audição e pode identificar alterações não detectadas pela audiometria convencional.

Por isso, quando o paciente apresenta zumbido persistente, uma audiometria normal não encerra a investigação.

Diferenças discretas entre os dois ouvidos também podem causar zumbido

Outro aspecto importante é que nem sempre o problema está relacionado à perda auditiva propriamente dita.

Em muitos pacientes, ambos os ouvidos apresentam audição considerada normal. Contudo, existe uma pequena diferença entre os limiares auditivos do ouvido direito e do esquerdo.

Embora essas diferenças permaneçam dentro da faixa considerada normal, nosso cérebro pode interpretar essa assimetria como algo incomum.

Como consequência, algumas pessoas passam a perceber o zumbido.

Isso demonstra que o cérebro participa ativamente da percepção do zumbido e não apenas o ouvido.

Além disso, quanto maior a sensibilidade individual, maior pode ser o impacto dessas pequenas diferenças.

O exame de otoemissões acústicas pode ajudar

Quando existe suspeita de alterações muito iniciais das células ciliadas da cóclea, outro exame pode ser bastante útil.

As otoemissões acústicas avaliam o funcionamento das células ciliadas externas da cóclea, estruturas extremamente delicadas responsáveis por amplificar os sons.

Em alguns pacientes, essas células já apresentam alterações, mesmo quando a audiometria permanece completamente normal.

Consequentemente, as otoemissões podem detectar alterações precoces da audição que ainda não aparecem no exame convencional.

Por isso, frequentemente esse exame faz parte da investigação especializada do paciente com zumbido.

Existem outras alterações auditivas que não aparecem na audiometria?

Sim.

Nos últimos anos, diversos estudos têm demonstrado que algumas alterações da via auditiva podem não ser identificadas pela audiometria tradicional.

Entre elas, destaca-se a chamada perda auditiva oculta (hidden hearing loss).

Nessa condição, o paciente consegue ouvir os sons normalmente durante a audiometria. Entretanto, existe uma alteração nas conexões entre as células da cóclea e o nervo auditivo.

Como resultado, podem surgir sintomas como:

  • zumbido;
  • dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos;
  • sensação de esforço para ouvir;
  • desconforto com sons intensos.

Assim, mesmo diante de uma audiometria normal, pode existir comprometimento funcional do sistema auditivo.

Além disso, o médico otorrinolaringologista, mesmo diante de uma audiometria normal pode suspeitar de uma hidropsia que pode afetar o sistema auditivo e ou vestibular (o labirinto) e pedir exames complementares tais como a Eletrococleografia. 

Então nem todo zumbido tem origem no ouvido?

Exatamente.

Embora muitos casos estejam relacionados ao sistema auditivo, o zumbido também pode ter origem em outras condições clínicas.

Por exemplo, alterações da articulação temporomandibular (ATM), problemas da coluna cervical, alterações da região da cintura escapular, distúrbios metabólicos, alterações hormonais, doenças vasculares, uso de determinados medicamentos, ansiedade, estresse e distúrbios do sono podem contribuir para o aparecimento ou agravamento do zumbido.

Além disso, muitas vezes mais de um fator está envolvido simultaneamente.

Isso significa que um mesmo paciente pode apresentar uma pequena alteração auditiva associada, por exemplo, ao estresse crônico ou à tensão muscular.

Consequentemente, o tratamento precisa ser individualizado.

O zumbido pode ser um sintoma irradiado

Assim como uma dor no braço pode representar um problema cardíaco, o zumbido também pode funcionar como um sintoma irradiado.

Ou seja, sua origem pode estar distante do ouvido.

Por esse motivo, limitar a investigação apenas aos exames auditivos pode atrasar o diagnóstico correto.

Durante a consulta, o médico analisa cuidadosamente o histórico clínico, os medicamentos utilizados, doenças prévias, hábitos de vida, qualidade do sono, exposição ao ruído, alterações emocionais e diversos outros fatores.

Somente após essa avaliação completa é possível estabelecer a estratégia diagnóstica mais adequada.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Sempre que o zumbido persistir por mais de alguns dias ou causar incômodo importante, é recomendável procurar um otorrinolaringologista.

Da mesma forma, a avaliação deve ser realizada rapidamente quando o zumbido surgir associado à perda auditiva súbita, tontura intensa, dor no ouvido ou alterações neurológicas.

Além disso, mesmo que sua audiometria esteja normal, a investigação médica continua sendo fundamental.

Em muitos casos, exames complementares podem esclarecer a origem do sintoma e orientar o tratamento mais indicado.

Zumbido com audiometria normal tem tratamento?

Sim.

A boa notícia é que o zumbido tem tratamento, mesmo quando a audiometria está normal.

Contudo, o tratamento depende diretamente da identificação da causa ou dos fatores envolvidos.

Em alguns pacientes, o foco será a saúde auditiva. Em outros, será necessário tratar alterações metabólicas, distúrbios do sono, tensão muscular, problemas da ATM, ansiedade ou outras condições associadas.

Por isso, cada caso deve ser avaliado de forma individual.

Quanto mais precoce for a investigação especializada, maiores são as chances de controlar o sintoma e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Conclusão

Receber uma audiometria normal é uma ótima notícia, mas isso não significa que o ouvido esteja completamente livre de alterações relacionadas ao zumbido.

A audiometria convencional possui limitações e nem sempre identifica alterações iniciais da cóclea, diferenças sutis entre os ouvidos ou comprometimentos das vias auditivas. Além disso, o zumbido também pode ter origem em outras condições clínicas que exigem investigação especializada.

Portanto, se você apresenta zumbido persistente, mesmo com audiometria normal, não conclua que “está tudo bem” apenas com base nesse exame. Uma avaliação completa realizada por um otorrinolaringologista é essencial para identificar a causa, orientar exames complementares quando necessários e indicar o tratamento mais adequado.

Afinal, o zumbido é um sintoma, e compreender sua origem é o primeiro passo para tratá-lo de forma eficaz.

Referências Bibliográficas:

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  7. Imagem Pexels

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