Dra Elaine Miwa Watanabe

Dra Elaine Miwa Watanabe
Otorrinolaringologista
Zumbido tem tratamento

Zumbido no Ouvido é Grave?

Dra Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista pesquisadora em zumbido no ouvido

Primeiramente, o zumbido no ouvido, também conhecido como tinnitus, é uma condição auditiva que afeta em torno de 15 a 20% das pessoas em todo o mundo. Apesar de ser frequentemente considerado apenas um incômodo, há situações em que o zumbido pode estar relacionado a condições médicas mais sérias.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que é o zumbido, quando ele pode ser grave, quais são suas principais causas e por que é fundamental procurar um especialista quando ele surge de forma persistente ou progressiva.

O Que é Zumbido no Ouvido?

Antes de mais nada, é importante entender o que exatamente caracteriza o zumbido. Em termos simples, zumbido no ouvido é a percepção de um som que não provém de nenhuma fonte externa. Ou seja, a pessoa escuta um ruído – que pode variar entre apitos, chiados, assobios ou batidas – mesmo quando está em um ambiente completamente silencioso.

De fato, esse som pode ser contínuo ou intermitente, em um ou ambos os ouvidos, e com intensidades diversas. Aliás, em muitos casos, o zumbido é temporário e está associado a fatores simples, como exposição prolongada a ruídos altos ou acúmulo de cera. No entanto, em outras situações, ele pode indicar problemas neurológicos, vasculares ou até tumores.

O Zumbido no Ouvido é Sempre Grave?

Nem Sempre, Mas Pode Ser

Embora o zumbido, por si só, não seja uma doença, ele pode ser um sintoma de algo mais sério. Na maioria das vezes, o zumbido está ligado a causas benignas, como perda auditiva relacionada à idade, estresse ou infecções no ouvido. No entanto, existem casos em que ele pode indicar condições clínicas graves, que precisam de avaliação e tratamento imediato.

A seguir, você encontrará as principais condições potencialmente graves que podem estar associadas ao zumbido.

Causas Importantes do Zumbido no Ouvido

1. Tumores Cerebrais

Em primeiro lugar, uma das causas mais temidas do zumbido persistente é a presença de tumores no cérebro, felizmente, a maioria de origem benigna, como o schwannoma vestibular (ou neuroma acústico). Esse tipo de tumor benigno pode afetar o nervo vestibulococlear, responsável pela audição e equilíbrio. Além do zumbido, podem ocorrer perda auditiva progressiva e desequilíbrio.

2. Malformações Vasculares e Fístulas Arteriovenosas

Outro fator preocupante são as malformações vasculares, que incluem fístulas arteriovenosas dentro do crânio. Geralmente, esses problemas podem causar zumbido pulsátil, ou seja, um som ritmado, geralmente sincronizado com os batimentos cardíacos. Dessa maneira, esse tipo de zumbido pode ter origem vascular e deve ser investigado pelo médico.

3. Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, podendo causar sintomas auditivos como zumbido, tontura e perda de equilíbrio. Quando o zumbido está associado a sintomas neurológicos, como visão dupla ou dormência, é essencial procurar um neurologista com urgência.

4. Traumatismo Cranioencefálico (TCE)

Traumas na cabeça, mesmo que aparentemente leves, podem causar danos ao sistema auditivo ou às áreas do cérebro responsáveis pelo processamento do som. Como resultado, o paciente pode desenvolver zumbido no ouvido, que pode persistir por semanas ou meses após o acidente. Além disso, em casos mais graves, pode haver concussão e até hemorragia cerebral.

5. Barotrauma

Incialmente, o barotrauma é uma lesão causada por mudanças bruscas de pressão, mais comum em mergulhadores ou passageiros de aviões. Quando não se faz uma descompressão adequada durante um mergulho, por exemplo, pode ocorrer a perfuração do tímpano, levando à perda auditiva e zumbido.

6. Doença de Paget

Embora menos conhecida, a doença de Paget pode afetar o crânio, provocando uma remodelação óssea anormal. De fato, essa alteração pode comprometer os ossículos do ouvido médio, provocando tanto perda auditiva quanto zumbido. Assim, em alguns casos, a doença também causa o encarceramento de nervos periféricos, o que agrava ainda mais o quadro clínico.

7. Síndrome de Arnold-Chiari

A síndrome de Arnold-Chiari é uma condição congênita rara, na qual há uma má-formação da parte inferior do cérebro (cerebelo). Dessa forma, essa alteração pode gerar pressão dentro do crânio, levando a sintomas como dores de cabeça, desequilíbrio, perda auditiva e zumbido.

8. Encefalopatias

As encefalopatias, que são doenças que afetam o funcionamento cerebral, podem ter como manifestação o zumbido, especialmente quando envolvem inflamações, infecções ou intoxicações. Então, dependendo da gravidade, podem evoluir para quadros mais severos, como convulsões ou perda de consciência.

9. Meningite

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Quando afeta a audição, pode levar a surdez súbita, muitas vezes acompanhada de zumbido severo. Por se tratar de uma emergência médica, o atendimento deve ser imediato.

10. Hipertensão Intracraniana Idiopática

Essa condição ocorre quando há pressão elevada dentro do crânio sem uma causa aparente. Além de dor de cabeça e alterações visuais, muitos pacientes relatam zumbido no ouvido. O diagnóstico costuma ser feito por médicos com exames de imagem, punção liquórica e exame de fundo de olho. A saber, para saber mais detalhes sobre esse assunto clique aqui. 

Quais sinais de alerta?

Embora o zumbido ocasional não costume ser sinal de alarme, é importante ficar atento a alguns sinais que indicam a necessidade de avaliação médica:

  • Zumbido persistente ou progressivo;
  • Zumbido unilateral;
  • Zumbido acompanhado de perda auditiva súbita;
  • Presença de zumbido pulsátil;
  • Zumbido associado a desequilíbrio ou tontura constante;
  • Casos em que o zumbido ocorre após um trauma craniano;
  • Presença de outros sintomas neurológicos, como visão turva ou formigamento.

     

Conclusão: O Zumbido no Ouvido Pode Ser Grave?

Em resumo, o zumbido no ouvido nem sempre é grave, mas pode ser um sintoma de doenças sérias que exigem investigação. A avaliação precoce por um profissional capacitado, como um otorrinolaringologista ou neurologista, é essencial para identificar a causa exata e iniciar o tratamento adequado.

Portanto, se você ou alguém próximo está lidando com esse sintoma, não ignore. Buscar ajuda especializada pode fazer toda a diferença na preservação da audição e da qualidade de vida.

Nunca Use Remédio Para Zumbido no Ouvido Sem Avaliação Médica

Mesmo que alguns medicamentos pareçam promissores, jamais tome nenhum por conta própria. O zumbido é um sintoma complexo e multifatorial. O tratamento deve sempre ser individualizado, com acompanhamento de um profissional especializado.

Cuidado com propagandas enganosas

De fato, existem muitas propagandas que prometem melhora imediata que podem vir disfarçadas  com a frase “aprovado pela ANVISA” ou então “eficaz para o zumbido”. Até porque, mesmo que o zumbido seja tipo chiado igualzinho ao de outra pessoa, não significa que a causa e muito menos o tratamento seja o mesmo. Então, muito cuidado com propagandas enganosas e falso depoimentos! Saiba aqui dicas de como não ser enganar !

 

Conclusão: Para Tratar o Zumbido no Ouvido, o Diagnóstico É a Chave

Encontrar o remédio certo para zumbido no ouvido exige uma investigação completa da causa. Com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem reduzir significativamente o incômodo ou até eliminá-lo.

Referências bibliográficas

  1. Textbook of Tinnitus, 2nd ed.; Schlee, W., Langguth, B., De Ridder, D., Vanneste, S., Kleinjung, T., Moller, A., Eds.; Springer: Cham, Switzerland, 2024
  2. Figueiredo, Azevedo. Tratamento Farmacológico do Zumbido. In: Oiticica J, Mezzalira R, Cassou R, Bittar R (Eds.). Zumbido. Thieme Revinter, 2022. 1ª ed. p. 51-57.
  3. De Ridder D, Langguth B, Schlee W. Mourning for Silence: Bereavement and Tinnitus—A Perspective. Journal of Clinical Medicine. 2025; 14(7):2218. https://doi.org/10.3390/jcm14072218
  4. Imagem Pexels

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