Dra Elaine Miwa Watanabe

Dra Elaine Miwa Watanabe
Otorrinolaringologista
Zumbido tem tratamento

Descubra as Causas Neurológicas de Zumbido

Dra Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista pesquisadora em zumbido no ouvido

O zumbido no ouvido, também chamado de tinnitus, é um sintoma comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, embora muitas vezes esteja relacionado a problemas no ouvido interno, como perda auditiva ou exposição a sons intensos, é importante destacar que algumas causas neurológicas também podem provocar zumbido.

Neste artigo, você vai entender como o cérebro e o sistema nervoso podem influenciar o aparecimento do zumbido, quais doenças estão associadas, como é feito o diagnóstico e, por fim, se o zumbido pode ou não causar doenças como a demência ou o Alzheimer.

O que é o zumbido no ouvido?

Antes de mais nada, é essencial compreender o que é o zumbido. Trata-se da percepção de um som no ouvido ou na cabeça sem que exista uma fonte sonora externa. Em outras palavras, é ouvir algo que não vem do ambiente.

Esse som pode se manifestar de diferentes formas — apitos, chiados, ruídos, batimentos, estalos ou até sons pulsáteis. Além disso, pode ser contínuo ou intermitente, afetar um ou ambos os ouvidos e variar em intensidade conforme o momento do dia, o nível de estresse ou a qualidade do sono.

Embora o zumbido não seja uma doença em si, ele é um sintoma que pode estar relacionado a diversas condições, inclusive alterações neurológicas.

Como as alterações neurológicas podem provocar zumbido?

De acordo com diversos estudos, o cérebro e o sistema nervoso desempenham um papel fundamental na percepção do som. Assim, quando há uma disfunção em determinadas áreas cerebrais — especialmente as envolvidas no processamento auditivo — o cérebro pode interpretar erroneamente sinais elétricos e, consequentemente, criar a sensação de som sem estímulo externo.

Por exemplo, após uma lesão cerebral, o cérebro pode tentar “compensar” a perda de estímulos auditivos, gerando a percepção do zumbido causada por uma distorção sonora. Além disso, doenças que afetam a condução nervosa, o fluxo sanguíneo cerebral ou as conexões entre neurônios também podem desencadear esse sintoma.

Por outro lado, é importante ressaltar que nem todas as pessoas com doenças neurológicas desenvolvem zumbido. Cada organismo reage de maneira única. Portanto, uma avaliação médica detalhada é indispensável para compreender as causas individuais e definir o tratamento mais adequado.

O seu zumbido muda ao longo do dia?

Certamente, saber se o zumbido piora em algum horário do dia, pode ajudar e muito a pensar em diagnósticos mais assertivos sobre as possíveis causas do zumbido. Por isso, é muito importante não só saber o que melhora, mas também o que piora.

Outros sintomas que podem acompanhar o zumbido de causa neurológica

O zumbido pode aparecer de forma isolada, mas, em muitos casos, vem acompanhado de outros sintomas neurológicos. Entre os mais comuns estão:

  • Tontura ou sensação de desequilíbrio;
  • Dores de cabeça intensas, especialmente em casos de enxaqueca;
  • Alterações visuais, como visão dupla ou borrada;
  • Formigamentos ou dormência em partes do corpo;
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

     

Esses sinais adicionais são extremamente importantes, pois ajudam o médico a diferenciar se o zumbido tem origem neurológica, auditiva ou metabólica.

Principais causas neurológicas de zumbido

Existem diversas condições neurológicas que podem estar associadas ao zumbido. Abaixo estão as mais conhecidas, que merecem atenção especial:

1. Traumatismo cranioencefálico e Whiplash

Lesões na cabeça ou no pescoço, como as que ocorrem em acidentes automobilísticos, podem causar alterações nas vias auditivas. O impacto pode gerar zumbido, perda auditiva e vertigem.

2. Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta a bainha de mielina — estrutura que recobre os nervos. Quando as fibras auditivas são atingidas, pode surgir zumbido, além de outros sintomas sensoriais e motores.

3. Tumores cerebrais e Tumor do ângulo pontocerebelar

Tumores como schwannoma vestibular (neurinoma do acústico) e meningeoma podem pressionar nervos auditivos e provocar zumbido unilateral, perda auditiva progressiva e desequilíbrio.

4. Enxaqueca

A enxaqueca vestibular é uma causa comum de zumbido neurológico. Durante as crises, alterações no fluxo sanguíneo cerebral e na excitabilidade dos neurônios auditivos podem gerar ruídos no ouvido.

5. Conflito neurovascular e alça vascular

Em alguns casos, vasos sanguíneos podem comprimir nervos auditivos, causando irritação e gerando zumbido pulsátil ou contínuo.

6. Epilepsia e convulsões

Descargas elétricas anormais em áreas cerebrais relacionadas à audição podem provocar sensações auditivas fantasmas, inclusive o zumbido.

7. Doenças degenerativas

Condições como Doença de Alzheimer, Parkinson, Huntington e esclerose lateral amiotrófica (ELA) podem alterar a função cerebral e interferir na percepção sonora.

8. Distúrbios do sono e encefalopatias

A privação de sono, bem como alterações metabólicas cerebrais, também afetam o processamento auditivo. Consequentemente, podem intensificar a percepção de zumbido.

9.Hipertensão Intracraniana Idiopática

10.Síndrome da Cabeça Explosiva

 

Como é feito o diagnóstico do zumbido de origem neurológica?

O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, na qual o médico investiga o histórico de sintomas, hábitos de vida e possíveis doenças associadas.

Em seguida, o exame físico otoneurológico é realizado para avaliar a audição, o equilíbrio e os reflexos neurológicos. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames complementares, como:

  • Exames de sangue (para investigar causas metabólicas e inflamatórias);

  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética (com ou sem contraste dependendo do objetivo da avaliação médica);

  • Eletroencefalograma (EEG), útil para detectar atividade elétrica anormal;

  • Polissonografia, quando há suspeita de distúrbios do sono;

  • Audiometria e emissões otoacústicas, para avaliar a função auditiva periférica.

Esses exames ajudam a identificar se o zumbido tem origem no ouvido interno, no nervo auditivo ou no cérebro.

O zumbido pode causar demência ou Doença de Alzheimer?

De forma alguma. O zumbido é um sintoma, não uma doença. Portanto, ele não causa demência, Alzheimer ou tumores cerebrais.

O que pode ocorrer é o contrário: determinadas doenças neurológicas, como a Doença de Alzheimer ou outras formas de degeneração cerebral, podem gerar zumbido como um dos sintomas secundários.

Assim, é fundamental compreender que o zumbido é uma manifestação de algo que está acontecendo no organismo, e não a origem do problema.

Conclusão: quando procurar um médico?

Em síntese, as causas neurológicas de zumbido são diversas e complexas, exigindo investigação cuidadosa. Se o zumbido vier acompanhado de sintomas como tontura, dor de cabeça, formigamentos ou alterações na fala e na visão, é fundamental procurar um otorrinolaringologista ou neurologista o quanto antes.

Com diagnóstico preciso e tratamento adequado, é possível melhorar a qualidade de vida e reduzir significativamente o impacto do zumbido no dia a dia.

Por último: Cuidado com propagandas enganosas

De fato, existem muitas propagandas que prometem melhora imediata que podem vir disfarçadas  com a frase “aprovado pela ANVISA” ou então “eficaz para o zumbido”. Até porque, mesmo que o zumbido seja tipo chiado igualzinho ao de outra pessoa, não significa que a causa e muito menos o tratamento seja o mesmo. Então, muito cuidado com propagandas enganosas e falso depoimentos! Saiba aqui dicas de como não ser enganar !

Referências bibliográficas

  1. Textbook of Tinnitus, 2nd ed.; Schlee, W., Langguth, B., De Ridder, D., Vanneste, S., Kleinjung, T., Moller, A., Eds.; Springer: Cham, Switzerland, 2024
  2. Figueiredo, Azevedo. Tratamento Farmacológico do Zumbido. In: Oiticica J, Mezzalira R, Cassou R, Bittar R (Eds.). Zumbido. Thieme Revinter, 2022. 1ª ed. p. 51-57.
  3. De Ridder D, Langguth B, Schlee W. Mourning for Silence: Bereavement and Tinnitus—A Perspective. Journal of Clinical Medicine. 2025; 14(7):2218. https://doi.org/10.3390/jcm14072218
  4. Imagem Pexels

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