Dra Elaine Miwa Watanabe

Dra Elaine Miwa Watanabe
Otorrinolaringologista
Zumbido tem tratamento

Para que Serve Audiometria para Zumbido?

Dra Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista pesquisadora em zumbido no ouvido

Inicialmente,  zumbido no ouvido, também chamado de tinnitus, é um sintoma que cerca de 15% da população mundial. Trata-se da percepção de um som — como apito, chiado ou zumbido — que não é vinda do ambiente. Justamente por ser um sintoma multifatorial, ou seja, que pode ter várias causas, a investigação precisa ser criteriosa, e um dos exames mais solicitados é a audiometria.

Mas afinal, para que serve a audiometria para zumbido? Esse é o tema central deste guia, no qual vamos detalhar os tipos de audiometria, explicar sua importância na investigação clínica e esclarecer dúvidas comuns de pacientes que sofrem com esse sintoma.

Zumbido: Por Que a Audiometria é Fundamental?

Antes de entender a função do exame, é essencial compreender que o zumbido não é uma doença em si, mas sim um sintoma que pode estar associado a diversas condições: perda auditiva, doenças neurológicas, alterações vasculares, problemas na articulação temporomandibular ou até mesmo efeitos colaterais de medicamentos. Saiba mais sobre causas de zumbido.

A audiometria é o exame inicial indicado pelo médico otorrinolaringologista porque permite avaliar se há alterações na audição que possam justificar o zumbido. Em outras palavras, ela é a base para um diagnóstico correto e para definir a necessidade de exames complementares.

O que é Audiometria?

A audiometria é um teste auditivo que mede a capacidade de ouvir sons em diferentes frequências e intensidades. Além disso, o exame avalia outros parâmetros importantes do funcionamento do ouvido.

De forma geral, a audiometria pode ser dividida nas seguintes modalidades:

Audiometria Tonal

A audiometria tonal verifica se a pessoa consegue ouvir todos os tons de sons, do mais grave ao mais agudo, dentro da faixa considerada normal para a audição. É justamente nesse teste que se avalia o chamado limiar auditivo, ou seja, o ponto mínimo em que um som é percebido. Enquanto alterações em graves podem sugerir alterações de origem metabólica, as alterações em agudos podem sugerir perda auditiva por avanço da idade ou trauma acústico.

Audiometria Vocal

Já a audiometria vocal analisa a capacidade de compreensão da fala. Nesse exame, o paciente ouve palavras simples e precisa repeti-las. Assim, é possível medir a porcentagem de palavras reconhecidas corretamente. Dessa forma, entre as palavras que a pessoa deve repetir estão as  monossilábicas tais como “chão”, “mão”, “pó”, entre outras, e as dissilábicas como “gato”, “campo”, “mato”, etc.

Imitanciometria

A imitanciometria complementa a avaliação. Esse exame mede o funcionamento da membrana timpânica e indiretamente a saúde dos ossículos do ouvido médio. Além disso, permite verificar reflexos auditivos que fornecem pistas sobre a saúde da via neural da audição.

 

Quais Principais Doenças São Detectáveis na Audiometria?

De fato, a audiometria  permite avaliar de forma precisa a capacidade auditiva do paciente. Além de medir o limiar de audição em diferentes frequências, o teste também é essencial para auxiliar no diagnóstico de diversas doenças que afetam o ouvido.

Mas afinal, quais principais doenças são detectáveis na audiometria? Neste artigo, você vai conhecer as mais comuns, entender suas características e descobrir por que esse exame é fundamental para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Presbiacusia: A Perda Auditiva Relacionada à Idade

Uma das condições mais diagnosticadas pela audiometria é a presbiacusia, que corresponde à perda auditiva progressiva e natural provocada pelo envelhecimento. Certamente, está entre uma das principais causas de zumbido no ouvido. 

  • Geralmente afeta pessoas acima dos 60 anos.

  • Caracteriza-se por dificuldade em ouvir sons agudos e compreender a fala em ambientes ruidosos. Por isso, é extremamente comum a queixa, “eu ouço, mas não entendo”.

  • A audiometria mostra um padrão típico de perda auditiva bilateral e simétrica, geralmente em frequências altas.

👉 Portanto, sempre que houver queixas de zumbido, dificuldade em ouvir conversas ou necessidade de aumentar o volume da televisão, a audiometria é o exame mais indicado para confirmar a presbiacusia.

PAIR: Perda Auditiva Induzida por Ruído

Outra doença frequentemente detectada na audiometria é a PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído). Ela ocorre quando há exposição contínua ou prolongada a sons intensos, seja em ambientes de trabalho ruidosos ou em atividades de lazer, como shows e uso de fones de ouvido em volume elevado. Dessa forma, é fundamental o uso de protetores auriculares em ambientes de trabalho cujo ruído ambiente está maior ou igual a 80 decibéis.

  • A audiometria revela um padrão característico, geralmente em torno das frequências de 3.000 a 6.000 Hz.
  • O paciente pode relatar zumbido, dificuldade para compreender a fala e sensação de ouvido tampado.
  • É uma condição que pode ser evitada com uso de protetores auriculares e conscientização sobre saúde auditiva.

👉 Portanto, ao investigar PAIR, a audiometria se torna a ferramenta mais confiável para identificar precocemente a perda auditiva e orientar medidas de prevenção.

Surdez Súbita: Diagnóstico Rápido é Fundamental

A surdez súbita é uma perda auditiva que acontece de forma repentina, geralmente em apenas um ouvido. Essa condição é considerada uma emergência médica, pois quanto mais rápido for iniciado o tratamento, maiores são as chances de recuperação.

  • O paciente percebe a perda auditiva de forma abrupta, acompanhada ou não de zumbido e vertigem.
  • A audiometria confirma o grau e a configuração da perda auditiva, sendo essencial para diferenciar de outras causas.
  • O diagnóstico precoce aumenta significativamente a eficácia da terapia, que muitas vezes envolve corticoides.

👉 Nesse caso, a audiometria não apenas detecta a surdez súbita, como também orienta o acompanhamento da evolução do paciente durante o tratamento. Usualmente outros exames se fazem necessários para se saber a origem da surdez súbita que pode ser de origem autoimune, central ou até mesmo idiopática (sem causa aparente)

Otosclerose: Alteração do Ouvido Médio

A otosclerose é uma doença caracterizada por alterações ósseas no ouvido médio, que comprometem a movimentação dos ossículos responsáveis pela condução sonora.

  • Costuma aparecer em adultos jovens, com maior incidência em mulheres.
  • Os sintomas incluem perda auditiva progressiva, zumbido e, em alguns casos, vertigem.
  • A audiometria revela um padrão típico de perda auditiva condutiva.

👉 O exame é essencial tanto para confirmar o diagnóstico quanto para monitorar a progressão da doença, que pode exigir cirurgia como a estapedotomia ou uso de aparelhos auditivos. Em geral outros exames complementares como exames de sangue, investigação de alterações hormonais e tomografia, poderão ser necessários para investigação diagnóstica.

Lesões do Nervo Facial e Alterações Neurossensoriais

Embora menos comum, a audiometria também pode auxiliar no diagnóstico de lesões do nervo facial e de alterações neurossensoriais que afetam a via auditiva.

  • Em casos de tumores ou compressões nervosas, a audiometria pode mostrar diferenças significativas entre os dois ouvidos.

  • Associada a outros exames, como as otoemissões acústicas e o BERA (potenciais evocados auditivos), a audiometria contribui para um diagnóstico mais preciso.

  • Essas alterações podem causar sintomas como perda auditiva unilateral, zumbido persistente e sensação de pressão no ouvido.

👉 Portanto, a audiometria é uma etapa essencial na investigação de doenças neurológicas associadas à audição.

Conclusão: A Audiometria é Indispensável para Diagnosticar Doenças Auditivas

Diante de todas essas informações, fica claro que a resposta para a pergunta “quais principais doenças são detectáveis na audiometria” envolve condições muito relevantes para a saúde auditiva:

  • Presbiacusia

  • PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído)

  • Surdez Súbita

  • Otosclerose

  • Lesões do Nervo Facial e alterações neurossensoriais

Além de identificar essas doenças, a audiometria ajuda a monitorar a evolução do quadro e a orientar o tratamento mais adequado.

👉 Em resumo, se você apresenta zumbido, dificuldade de ouvir ou perda auditiva súbita, não hesite em procurar um otorrinolaringologista. A audiometria é simples, rápida, indolor e pode ser decisiva para preservar sua audição e qualidade de vida.

 

Zumbido e a Importância da Audiometria de Altas Frequências

Uma das grandes dúvidas dos pacientes é: para que serve a audiometria de altas frequências na investigação do zumbido?

A audiometria convencional avalia sons entre 250 Hz e 8.000 Hz. No entanto, muitos pacientes com zumbido percebem sons muito agudos, acima de 8.000 Hz. Nesses casos, apenas a audiometria de altas frequências consegue detectar alterações que poderiam passar despercebidas no exame convencional, que pode chegar até 16.000 Hz.

Minha audiometria está normal, então não preciso verificar as altas frequências?

Não é bem assim. Mesmo quando a audiometria convencional apresenta resultados dentro da normalidade, ainda pode haver lesões sutis em frequências mais agudas. Portanto, se o sintoma persistir, o médico pode indicar a investigação complementar com a audiometria de altas frequências.

Todo mundo com zumbido precisa desse exame?

A solicitação depende do julgamento clínico do otorrinolaringologista. Em alguns casos, a audiometria convencional já é suficiente. Em outros, a análise em frequências mais altas é indispensável para esclarecer a causa do zumbido.

Quando a audiometria de altas frequências é realmente necessária?

Esse exame é especialmente indicado quando:

  • O zumbido é descrito como muito agudo;

  • Há diferença de percepção entre os ouvidos;

  • Os exames convencionais não explicam os sintomas.

Em resumo, a audiometria de altas frequências pode revelar perdas auditivas “ocultas”, que não aparecem nos testes tradicionais.

Zumbido no Ouvido com Audiometria Normal

Uma das situações mais intrigantes para os pacientes é ouvir do médico que a audiometria está normal, mas mesmo assim sentir o zumbido. Isso é possível e relativamente comum.

Então, o que causa o zumbido se a audiometria está normal?

Como já explicado, o zumbido não é uma doença, mas um sintoma multifatorial. Ele pode ter origem auditiva, mas também pode ser um reflexo de problemas em outras partes do corpo, como alterações metabólicas, musculares ou neurológicas.

Diferença entre ouvido direito e esquerdo

Mesmo em exames normais, é possível identificar pequenas diferenças entre os dois ouvidos. O cérebro, extremamente sensível, pode interpretar essas diferenças como algo estranho, resultando na percepção do zumbido. Em casos assim, outros testes, como otoemissões acústicas, podem ser recomendados para confirmar alterações sutis.

Nem Todo Zumbido Tem Causa Auditiva

É importante reforçar que nem sempre a origem do zumbido está no ouvido. Assim como uma dor no braço pode ser sintoma de um infarto, o zumbido pode ser uma manifestação de outra condição de saúde.

Portanto, mesmo que a audiometria esteja normal, o médico pode investigar causas alternativas, como:

Essa abordagem global é fundamental para que o tratamento seja eficaz.

Para que Serve a Audiometria para Zumbido: Conclusão

A grande resposta para a pergunta “para que serve a audiometria para zumbido” é: ela é essencial para identificar ou descartar perdas auditivas, compreender as características do sintoma e orientar os próximos passos da investigação.

Graças à audiometria — seja tonal, vocal, de imitância ou de altas frequências — o médico pode montar um quadro clínico completo, diferenciando casos simples de situações que exigem exames mais detalhados.

Portanto, se você sofre com zumbido, não ignore os sintomas. Procure um otorrinolaringologista, realize a audiometria e siga corretamente as orientações médicas. Com a avaliação adequada, é possível chegar à causa e buscar um tratamento que traga qualidade de vida.

Referências bibliográficas

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  3. De Ridder D, Langguth B, Schlee W. Mourning for Silence: Bereavement and Tinnitus—A Perspective. Journal of Clinical Medicine. 2025; 14(7):2218. https://doi.org/10.3390/jcm14072218
  4. Imagem Pexels
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