
Zumbido pulsátil: Saiba Tudo
Dra Elaine Miwa Watanabe é médica otorrinolaringologista pesquisadora em zumbido no ouvido
Zumbido pulsátil: Saiba Tudo
Zumbido pulsátil: Saiba tudo sobre este assunto nesse artigo! Primeiramente precisamos definir o que é zumbido: é um som que aparece no ouvido ou na cabeça, sem se tratar de um som vindo do ambiente. Ou seja, mesmo no silêncio pode-se ouvir esse som.
Já ouviu falar em Zumbido Pulsátil?
A saber, trata-se de um tipo de zumbido que não tem um som contínuo tipo chiado ou então apito, e sim como batucadas como “téc téc téc” ou “tuf tuf tuf” ou “tum tum tum”, que podem ou não acompanhar o barulho do coração. Além disso, essas “batidas” podem se apresentar de variadas formas: contínuas, podem sumir às vezes, ficar mais rápidas ou lentas, ter ritmo compassado ou ser um som “bagunçado”, pode ser mais fino ou mais grosso. Portanto, não existe uma regra. Só para ilustrar, um outro barulho que podem eventualmente relatar é o estouro da pipoca.
Zumbido pulsátil tem relação com o coração?
Apesar do nome “pulsátil”, não necessariamente tem relação com a pulsação do coração. Ou seja, podem ou não acompanhar o barulho do coração e podem ou não ter origem vascular, como veremos a seguir. Portanto, nem todo zumbido pulsátil é problema das artérias ou veias. Nesse sentido, esse tipo de zumbido que pulsa pode ter outras origens além de vascular: problemas musculares, problemas ósseos.
Quais são as causas de origem vascular?
A saber, as principais são as Malformações:
- Bulbo jugular alto
- Alça vascular
- Aneurismas
Fístulas arteriovenosas
Estenose vascular aterosclerótica
Artéria basilar anômala
Tumores glômicos.
Existem causas não vasculares de zumbido pulsátil?
Sim! Por causa de problemas ósseos ou musculares, o zumbido pode também ser pulsátil, e podem ou não acompanhar o barulho do coração, mas como? Embora algumas doenças não sejam de causa vascular, podem acompanhar o ritmo do coração porque podem “amplificar” nossos sons internos dentro do ouvido.
Quais seriam as causas ósseas?
Certamente as mais comuns são a Otosclerose e Doença de Paget. Nesse sentido, o zumbido é pulsátil e acompanha o ritmo cardíaco mas ao mesmo tempo, não tem relação com problema cardiovascular. De tal maneira que forma-se uma espécie de caixa de ressonância dentro da nossa cabeça, que amplifica os ruídos do nosso corpo. Por isso, acabamos ouvindo essas batidinhas, como se fossem um “eco” dos nossos vasos sanguíneos.
E as causas musculares?
A princípio esse tipo de zumbido não acompanha o barulho do coração e aparecem como pequenso tremores dentro do ouvido que aparecem e somem “do nada”. Dessa maneira, essas se referem ao que chamamos de mioclonia, que pode aparecer na Síndrome Tônica do Tensor do Tímpano, também conhecida como STTT. Saiba mais.
Como resultado de um aumento da pressão intracraniana, essa é uma outra causa de zumbido pulsátil sem se tratar de um problema vascular, ósseo ou muscular como veremos a seguir com mais detalhes.
Tratamento do zumbido pulsátil
Em suma, o prognóstico e o tratamento para o zumbido pulsátil varia consideravelmente com base na causa, existindo até a possibilidade de cura, mas tudo dependendo da origem desse zumbido. Portanto, uma coisa é certa: a história, a avaliação médica e possivelmente exames complementares são necessários para o diagnóstico e tratamento correto e sobretudo especializado. Assim, não existe fórmula correta para tratar o zumbido e nem todo tratamento é igual para todos mesmo que o zumbido seja igualzinho ao da outra pessoa. Assim, cada paciente é único, com o tratamento totalmente pensado individualmente de acordo com as causas de cada um. Por isso, procure o médico especialista!
Sobre a Hipertensão Intracraniana Idiopática
Como resultado de um aumento da pressão intracraniana, essa é uma outra causa de zumbido pulsátil, muito específica, sem se tratar de um problema vascular, ósseo ou muscular como veremos a seguir com mais detalhes.
A princípio, a Hipertensão Intracraniana Idiopática também chamado de Pseudotumor cerebral. Mas veja bem, o nome vem Pseudotumor vem do signifcado “Falso tumor”. Então realmente não se trata mesmo de um tumor apesar do seu comportamento de massa. Além disso, têm esse nome “idiopático” porque não tem uma causa específica. A saber, trata-se de um aumento da pressão intracraniana na ausência de um tumor verdadeiro provocado por excesso de líquor na cabeça. Ou seja, se por algum motivo, a saída de líquor não ocorre adequadamente, ao ficar “preso”, há um aumento da pressão na cabeça.
Sintomas da Hipertensão Intracraniana Idiopática
Como resultado do aumento da pressão intracraniana, as dores de cabeça costumam ser muito fortes, não melhoram com qualquer remédio e são frequentes. Por outro lado, as queixas visuais também são comuns, tais como turvação, vista dupla e alteração do campo visual. No entanto, pode eventualmente ocorrer a queixa de “cegueira” súbita e ocasional. Ao mesmo tempo pode também ter zumbido na cabeça ou no ouvido (de um lado só ou na cabeça toda) que acompanha o batimento cardíaco.
Fatores de Risco
De acordo com a literatura, a Hipertensão Intracraniana Idiopática é mais comum em mulheres jovens, obesas com queixas de alterações visuais, dores de cabeça ou até mesmo nos olhos, persistentes. Certamente, enumeram-se outros fatores como excesso de vitamina A e hormônios causando dificuldade de drenagem liquórica.
Como é feito o Diagnóstico?
Inicialmente, quando o médico suspeita, existem alguns exames que poderão ajudar no diagnóstico. Por exemplo, o exame oftamológico de fundo de olho pode demonstrar alterações características de sofrimento do nervo óptico, que chamamos de papiledema. Além disso, exames de imagem como a Ressonância Magnética podem revelar o esvaziamento de uma estrutura chamada “sela turca” ou “sela túrcica”. Conforme indicação médica, no exame de manometria a pressão liquórica se apresenta alta. Geralmente as demais características do líquor estão normais.
Tratamento específico para Hipertensão Intracraniana
FInalmente, existem medicações que podem ajudar a diminuir a pressão do líquor. Entretanto, em caso de insucesso, pode ocorrer indicação cirúrgica com o objetivo de diminuir essa pressão intracraniana. Além disso, a perda de peso, sono adequado, diminuir o estresse, controle dos hormônios, são fundamentais no tratamento. Por isso é fundamental uma boa e atenta avaliação médica.
Referências bibliográficas
1)Burkett JG, Ailani J. An Up to Date Review of Pseudotumor Cerebri Syndrome. Curr Neurol Neurosci Rep 2018;18(6):33.
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3)Reprodução de foto Pixabay
